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sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Ilegais

Desse jeito vão saber de nós dois
Dessa nossa vida
E será uma maldade veloz
Malignas línguas
Nossos corpos não conseguem ter paz
Em uma distância
Nossos olhos são dengosos demais
Que não se consolam, clamam fugazes
Olhos que se entregam
Ilegais

Eu só sei que eu quero você
Pertinho de mim
Eu quero você
Dentro de mim
Eu quero você
Em cima de mim
Eu quero você

Desse jeito vão saber de nós dois
Dessa nossa farra
E será uma maldade voraz
Pura hipocrisia
Nossos corpos não conseguem ter paz
Nessa aventura
Nossos olhos são dengosos demais
Que não se consolam, clamam fugazes
Olhos que se entregam
Olhos ilegais

Eu só sei que eu quero você
Pertinho de mim
Eu quero você
Dentro de mim
Eu quero você
Em cima de mim
Eu quero você

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

conto 24

Esse é um conto que eu li numa quarta-feira de tarde.

Coincidentemente, ou não.

24.


"um amontoado de palavras. Tudo confuso. Igual aos sonhos. Um amontoado de informações. Tudo misturado. Precisava ter só respondido ok. E respondeu um textão. Louca. Pensou ele. Como continuar uma conversa desse jeito? Muito tarde. deixa pra lá.
Vamos ver, reler, voltar, reler. Burra. Tremeu o corpo todo e entendeu.
Volta mais, ajeita, solta. conta tudo. Melhor ao vivo, a cores, azul claro.
205. 2+0+5= 7. Olha ele, coração quer sair. Fica.
Entrou precisando de água. Tomou. contou. Uma tarde. derrama omi. agua aqui, agua lá. omi omi omi.
"Diz-lhe numa prece
Que ela regresse!" , chega de saudade, insiste tom.
Dentro dela uma monte de euforias. As borboletas de Oyá.
Ele fala taanto mesmo sempre assim? sempre tanto e tão rápido? era só ela que ele não sabia o que fazer?
é tanta coisa pra saber sobre ele. Quem diria que numa quarta de tarde marcariam uma conversa sobre sonhos? Ah, o vinho! Droga. Sem vinhos. Só um rabisco de violão, musicando aquele papo meio doido, meio torto, meio cheio de significados.
Ela cria a coragem necessária para ir embora, precisa. Caso não o faça, passará  resto de sua vida ali. Ouvindo aquela voz, sendo rabiscada por aqueles olho interessados, e ao som daquele rabisco de violão.
Deixa eu te mostrar uma coisa. Foi o jeito dele dizer, fica mais um pouco. levantam e vão curtir o som vindo da cabaça. Um som lindo. Que ela nem sabia o que dizer. A distancia finalmente diminui e ela quase que pode sentir um tanto do calor a pele dele. E ele meio de costas, meio de lado...sonorizando aquele dia puro omi. um trisco no dedo dele e formiga o corpo todo.
que acontecerá se pegar um pouco mais?
Senta mais, conversa mais, e quando o silêncio começa a querer ser ocupado por outras coisas, ela sabe que é hora de sair.
Ainda faltam 7dias.
6:05. Melhor se resguardar, ela sabe que  poderia ser muito mais ainda, mas são 6:05... e ele precisa se resguardar...Escadas a baixo ela vai embora rumo a espera do próximo dia.
é uma maravilha essa espera
É uma maravilha esse axé
é uma maravilha esse errante vestido de ogum e oxalá.
pensa ela
e foi embora, queimar de febre, quem sabe pela intensidade que é a não certeza.

e guarda os dizeres sobre Ogum e Oxalá." 




terça-feira, 23 de agosto de 2016

Do fundo do coração, ou Love, Love, Love* - Despedida de Caio



“Sempre acreditei que toda vez que a gente entra numa igreja pela primeira vez, vê uma estrela cadente ou amarra no pulso uma fitinha de Nosso Senhor do Bonfim, pode fazer um pedido. Ou três.
Sempre faço. Quando são três, em geral, esqueço dois. Um nunca esqueci. Um sempre pedi: amor.
Nunca tinha tido um amor. O quê? Aos 35 anos, agitando desse jeito? Explico: claro que tive dúzias e dúzias, outro dia até tentei contar e me perdi na altura do número cento e trinta e muito. Mas tudo rapidinho, assim, uma hora, um dia, uma semana, um mês, pouco mais. Nunca, digamos, UM ANO. Então quando alguém suspirava e dizia cara estou saindo de um caso de DEZ anos, meu olho arregalava de pura inveja. Histórias mais compridinhas, claro que rolaram. Maria Clara, por exemplo, mas a gente morava, eu em Sampa, ela no Rio, amor-ponte-aérea. Caríssimo. Isso, das moças. Dos moços, aquele bailarino americano em London, London, quatro/cinco meses. Talvez seis? Numa tarde de compras e roubos em Portobello Road me deu de presente um cacto (perfeito!) e me deixou plantado até hoje. Esse era amor-de-metrô, último trem entre Hammersmith e Euston. Onde andará? ("Onde andará?” é das perguntas mais tristes que conheço, sinônimo de se perdeu.)
Eis que de tanto pedir, insistir, acender vela, fazer todos os feitiços para Santo Antônio e Oxum e concentrar, rezar, mentalizar, eis que pintou. Ano passado me baixou um encosto de São Francisco de Assis, joguei (literalmente) pela janela quase tudo que tinha e, com duas malas, parti para o Rio. Não queria mais me prender a nada. Nem a Sampa, bem-amada. Numa ida a Porto Alegre, em agosto, deu-se. Explosão: à primeira vista. Tudo o que dissemos, depois de um longo suspiro de alívio, foi: eu amo você. Pasmem: verdade das verdadeiras. Ousadias do coração que saca, na hora, a intensidade do lance. E não disfarça. Bueno, tinha pintado.
Então tá. Romance comme il faut: dias numa casinha no meio de bosques em Gramado. Depois a volta ao Rio e, como dizia Ana Cristina Cesar (Aninha, Ana C., a bela, que falta você me faz menina fujona!), “amizade nova com o carteiro do Brasil”. Laudas e laudas de cartas de amor, uma por dia, duas por dia, dez por dia. Fotos, poemas, juras interurbanas. Voltei. Nós fomos os dois para o Rio. Dois meses lá: o amor resistia, mas nenhum estava a fim de pegar no pesado. Então fazer o quê? Dividir quarto pensão na Lapa, andar de ônibus, comer espiga de milho e misto quente? Nenhum acreditava em teu-amor-e-uma-cabana, também não era preciso teu-amor-e-um-rolls-royce (seria ótimo), mas pelo menos uma vitrolinha para fazer amor ao som do Bolero, de Ravel (amor tem desses lugares-comuns quase inconfessáveis). Voltamos. Verão em Torres. Camas de trinta horas. Passeios. Dunas, praia da Guarita. Filme. A sunga verde de lycra.
De repente uma luzinha vermelha começou, cigarro no escuro, a piscar dentro de mim. Foi no carnaval que passou. Suspeitas: porra, eu me afastei de tudo, de todos, joguei tudo pro alto e só quero esse amor, nada mais me interessa, se esse amor me faltar (pode?) eu só tenho isso, é o único laço que me prende à vida - e se faltar, Deus, se faltar o que faço? Noites paranóicas, medo Ritchie. E… se dançar? Aí dançou. Foi dançando. Não sei bem como. Uma tarde peguei nas suas mãos e, bem cruel (punhais: como a gente sabe apunhalar com engenho e arte, crava devagarinho a lâmina, depois revira, dentro da ferida), pedi assim: olha bem dentro dos meus olhos e me responde à seguinte pergunta: “Você não me ama mais?”.
Silêncio tão espesso que consegui ouvir o ruído do movimento de rotação da Terra. Feito nas novelas das seis, eu abri a boca quando ouvi a resposta. Um lento Não. Um claro Não. Um seguro Não. Um límpido Não. Um tranquilo Não. Um sem dúvida alguma Não. Um afirmativo Não. Repete, pedi. Repetiu. Pede-se não enviar flores, pensei. Fechei a porta. Fiquei só, chovia. Com requintes de autopiedade, limpei devagarinho com feltro um disco da Elis, deitei no chão e ouvi umas cem vezes “Se quiser falar com Deus”. Quando já ia abrir o gás, corri para o telefone e pedi ao Zé Márcio Penido em Sampa: socorro. Vem, ele disse. Santo amigo. Fui, na mesma hora. Me estonteei, vi todos os filmes, todas as peças, revi todos os amigos, ouvi todos os discos, namorei o que deu. Tinham sido NOVE MESES de fidelidade, no amor-amor, é sempre supernatural. Quando decidi estou-ótimo-fullgás-total-posso-voltar, voltei. The reencontro: quando dei por mim estava dizendo as coisas mais duras e agressivas e cruéis e impiedosas e injustas e ferinas e baixas e grossas que uma pessoa pode dizer à outra.
Comecei a me perder pela cidade. Selecionei vinte gatos & gatas mais lindos do pedaço, dez semifinalistas, cinco finalistas, transei todos. Saí sem parar. De bar em bar, telefone tocando sem parar. Explodindo de vitalidade e saúde e sedução: capacidade de superação. Puxa, gente, como sou maravilhoso, como sou maduro e equilibrado, como sei dar a volta por cima, como não sou careta, como sou moderno e liberadésimo. Aí, desabou. Dez dias. De manhã bem cedo, chegando da vida, percebi uma pequena rachadura na parede externa do edifício. Avançava lentissimamente. Ao meio-dia rachou de alto a baixo. O edifício veio ao chão: me interna, pedi pra mãe, estou infeliz pra caralho. Peguei o pacote de cartas que tinha pedido de volta (fiz absolutamente todos os números, o problema é que a plateia estava vazia: ninguém aplaudiu minha melhor sequência de sapateado), coloquei aos pés de Ogum.
E agora, Caio F.? Agora, estou amanhecendo. Ah, me digo, então era assim. Essa coisa, o amor. Já conheço? Já conheço. Mas como é mesmo que se chama? Também não estou certo se estarei mesmo amanhecendo. Talvez, sim, anoitecendo, essas luzes penumbrosas são muito parecidas. Não sei muita coisa. Quase nada. Pedi? Levei. Nunca tinha sido tão intenso, nem tão bonito. Nunca tinha tido um jeito assim, tão forever. Não me diga que vai passar, vai passar, vai passar, vai passar. Não me diga que foi ótimo, o que você queria, a eternidade? Não me peça para não te encher o saco lamuriando. Posso não saber nada do coração das gentes, mas tenho a impressão, de que, de tudo, o pior é quando entra a segunda parte da letra de “Atrás da porta”, ali no quando “dei pra maldizer o nosso lar pra sujar teu nome, te humilhar”. Chico Buarque é ótimo pra essas coisas. Billie Holiday é ótima pra essas coisas. E Drummond quando ensina que “o amor, caro colega, esse não consola nunca de núncaras”. Aí você saca que toda música, toda letra, todo poema, todo filme, toda peça, todo papo, todo romance, tudo e todos o tempo todo, antes, agora e depois, falam disso. Que o que você sente é único & indivisível e é exatamente igual à dor coletiva, da Rocinha a Biarritz. O coro de anjos de Antunes Filho levanta no ar, em triunfo, os corpos mortos de Romeu e Julieta enquanto os Beatles pedem um little help from my friends, e a plateia ainda aplaude de pede bis (o Gonzaguinha também é ótimo pra essas coisas). Meus amigos, abandonados para que eu pudesse mergulhar, voltaram a mil. Tem seus prazeres o fim do amor. Se é patologia, invenção cristã-judaico-ocidental-capitalista, ou maya, ego, se é babaquice, piração, se mudou-através-dos-tempos, puro sexo, carência, medo da morte: não interessa. Tenho certeza que estive lá, naquele terreno. Ele existe.
Por isso falo dele: Joyce e Paula me pediram elucubrações, as minhas são estas. Estou contando a vocês que estou fazendo elucubrações sobre o amor porque provavelmente, de uma outra forma vocês aí que me leem, talvez com tédio, também estão pensando a mesma coisa. O bicho homem não faz outra coisa a não ser pensar no amor. Até as relações de produção, a luta de classes, a ecologia, o jogo pelo poder: tudo, questão de amor. Formas de amor. Amor é palavra que inventamos para dar nome ao Sol abstrato em torno do qual giram nossos pequeninos egos ofuscados, entontecidos, ritmados. A vida toda. Mas se me perguntarem o que quero dizer com isso, não tenho resposta.
O que quero dizer é justamente o que estou dizendo. Não estou com pena de mim. Tá tudo bem. Tenho tomado banho, cortado as unhas, escovado os dentes, bebido leite. Meu coração continua batendo - taquicárdico, como sempre. Dá licença, Bob Dylan: it’s all right man, I’m just bleeding. Tá limpo. Sem ironias. Sem engano. Amanhã, depois, acontece de novo, não fecho nada, não fechamos nada, continuamos vivos e atrás da felicidade, a próxima vez vai ser ainda quem sabe mais celestial que desta, mais infernal também, pode ser, deixa pintar. Se tiver aprendido lições (amor é pedagógico?), até aproveito e não faço tanta besteira. Mas acho que amor não é cursinho pré-vestibular. Ninguém encontra seu nome no listão dos aprovados. A gente só fica assim. Parado olhando a medida do Bonfim no pulso esquerdo, lado do coração e pensando, pois é, vejam só, não me valeu.“
*Texto de Caio Fernando Abreu na revista Around, por volta de 1985. Retirado do livro "Para sempre teu, Caio F.”, de Paula Dip.




segunda-feira, 22 de agosto de 2016

OS SOBREVIVENTES - escolhido -

escolhi esse, pq eu me identifico totalmente com esse texto dele.
Fui ver que nesse mês a ja postei mais de 10 vezes no mês de agosto, isso diz muito sobre agosto,e mais ainda sobre mim.

Para ler ao som de Ângela Ro-Ro 

Sri Lanka, quem sabe? ela me pergunta, morena e ferina, e eu respondo por que não? mas inabalável ela continua: você pode pelo menos mandar cartões-postais de lá, para que as pessoas pensem nossa, como é que ele foi parar em Sri Lanka, que cara louco esse, hein, e morram de saudade, não é isso que te importa? Uma certa saudade, e você em Sri Lanka, bancando o Rimbaud, que nem foi tão longe, para que todos lamentem ai como ele era bonzinho e nós não lhe demos a dose suficiente de atenção para que ficasse aqui entre nós, palmeiras & abacaxis. Sem parar, abana-se com a capa do disco de Ângela enquanto fuma sem parar e bebe sem parar sua vodca nacional sem gelo nem limão. Quanto a mim, a voz tão rouca, fico por aqui mesmo comparecendo a atos públicos, pichando muros contra usinas nucleares, em plena ressaca, um dia de monja, um dia de puta, um dia de Joplin, uma dia de Teresa de Calcutá, um dia de merda enquanto seguro aquele maldito emprego de oito horas diárias para poder pagar essa poltrona de couro autêntico onde neste exato momento vossa reverendíssima assenta sua preciosa bunda e essa exótica mesinha de centro em junco indiano que apóia nossos fatigados pés descalços ao fim de mais outra semana de batalhas inúteis, fantasias escapistas, maus orgasmos e crediários atrasados. Mas tentamos tudo, eu digo, e ela diz que sim, claaaaaaa-ro, tentamos tudo, inclusive trepar, porque tantos livros emprestados, tantos filmes vistos juntos, tantos pontos de vista sociopolíticos existenciais e bababá em comum só podiam era dar mesmo nisso: cama. Realmente tentamos, mas foi uma bosta. Que foi que aconteceu, que foi meu deus que aconteceu, eu pensava depois acendendo um cigarro no outro e não queria lembrar, mas não me saía da cabeça o teu pau murcho e os bicos dos meus seios que nem sequer ficaram duros, pela primeira vez na vida, você disse, eu acreditei, pela primeira vez na vida, eu disse, e não sei se você acreditou. Eu quero dizer que sim, que acreditei, mas ela não pára, tanto tesão mental espiritual moral existencial e nenhum físico, eu não queria aceitar que fosse isso: éramos diferentes, éramos melhores, éramos superiores, éramos escolhidos, éramos mais, éramos vagamente sagrados, mas no final das contas os bicos dos meus peitos não endureceram e o teu pau não levantou. Cultura demais mata o corpo da gente, cara, filmes demais, livros demais, palavras demais, só consegui te possuir me masturbando, tinha a biblioteca de Alexandria separando nossos corpos, eu enfiava fundo o dedo na buceta noite após noite e pedia mete fundo, coração, explode junto comigo, me fode, depois virava de bruços e chorava no travesseiro, naquele tempo ainda tinha culpa nojo vergonha, mas agora tudo bem, o Relatório Hite liberou a punheta. Não que fosse amor de menos, você dizia depois, ao contrário, era amor demais, você acreditava mesmo nisso? naquele bar infecto onde costumávamos afogar nossas impotências em baldes de lirismo juvenil, imbecil, e eu disse não, meu bem, o que acontece é que como “bons-intelectuais-pequeno-burgueses” o teu negócio é homem e o meu é mulher, podíamos até formar um casal incrível, tipo aquela amante de Virgínia Woolf, como era mesmo o nome da fanchona? Vita, isso, Vita Sackville-West e o veado do marido dela, ora não se erice, queridinho, não tenho nada contra veados não, me passa a vodca, o quê? e eu lá tenho grana para comprar wyborowas? não, não tenho nada contra lésbicas, não tenho nada contra decadentes em geral, não tenho nada contra qualquer coisa que soe a: uma tentativa. Eu peço um cigarro e ela me atira o maço na cara como quem joga um tijolo, ando angustiada demais, meu amigo, palavrinha antiga essa, a velha angst, saco, mas ando, ando, mais de duas décadas de convívio cotidiano, tenho uma coisa apertada aqui no meu peito, um sufoco, uma sede, um peso, ah não me venha com essas histórias de “atraiçoamos-todos-os-nos-sos-ideais”, eu nunca tive porra de ideal nenhum, eu só queria era salvar a minha, veja só que coisa mais individualista elitista capitalista, eu só queria era ser feliz, cara, gorda, burra, alienada e completamente feliz. Podia ter dado certo entre a gente, ou não, eu nem sei o que é dar certo, mas naquele tempo você ainda não tinha se decidido a dar o rabo nem eu a lamber buceta, ai que gracinha nossos livrinhos de Marx, depois Marcuse, depois Reich, depois Castaneda, depois Lang embaixo do braço, aqueles sonhos tolos colonizados nas cabecinhas idiotas, bolsas na Sorbonne, chás com Simone e Jean-Paul nos 50 em Paris, 60 em Londres ouvindo here comes the sun here comes the sun little darling, 70 em Nova York disco-music no Studio 54, 80 a gente aqui mastigando esta coisa porca sem conseguir engolir nem cuspir fora nem esquecer esse azedo na boca. Já li tudo, cara, já tentei macrobiótica psicanálise drogas acupuntura suicídio ioga dança natação cooper astrologia patins marxismo candomblé boate gay ecologia, sobrou só esse nó no peito, agora faço o quê? não é plágio do Pessoa não, mas em cada canto do meu quarto tenho uma imagem de Buda, uma de mãe Oxum, outra de Jesusinho, um pôster de Freud, às vezes acendo vela, faço reza, queimo incenso, tomo banho de arruda, jogo sal grosso nos cantos, não te peço solução nenhuma, você vai curtir os seus nativos em Sri Lanka depois me manda um cartão-postal contando qualquer coisa como ontem à noite, na beira do rio, deve haver uma porra de rio por lá, um rio lodoso, cheio de juncos sombrios, mas ontem na beira do rio, sem planejar nada, de repente, sabe, por acaso, encontrei um rapaz de tez azeitonada e olhos oblíquos que. Hein? claro que deve haver alguma espécie de dignidade nisso tudo, a questão é onde, não nesta cidade escura, não neste planeta podre e pobre, dentro de mim? ora não me venhas com autoconhecimentos-redentores, já sei tudo de mim, tomei mais de cinqüenta ácidos, fiz seis anos de análise, já pirei de clínica, lembra? você me levava maçãs argentinas e fotonovelas italianas, Rossana Galli, Franco Andrei, Michela Roc, Sandro Moretti, eu te olhava entupida de mandrix e babava soluçando perdi minha alegria, anoiteci, roubaram minha esperança, enquanto você, solidário & positivo, apertava meu ombro com sua mão apesar de tudo viril repetindo reage, companheira,
reage, a causa precisa dessa tua cabecinha privilegiada, teu potencial criativo, tua lucidez libertária e bababá bababá. As pessoas se transformavam em cadáveres decompostos à minha frente, minha pele era triste e suja, as noites não terminavam nunca, ninguém me tocava, mas eu reagi, despirei, voltei a isso que dizem que é o normal, e cadê a causa, meu, cadê a luta, cadê o po-ten-ci-al criativo? Mato, não mato, atordôo minha sede com sapatinhas do Ferro's Bar ou encho a cara sozinha aos sábados esperando o telefone tocar, e nunca toca, neste apartamento que pago com o suor do po-ten-ci-al criativo da bunda que dou oito horas diárias para aquela multinacional fodida. Mas, eu quero dizer, e ela me corta mansa, claro que você não tem culpa, coração, caímos exatamente na mesma ratoeira, a única diferença é que você pensa que pode escapar, e eu quero chafurdar na dor deste ferro enfiado fundo na minha garganta seca que só umedece com vodca, me passa o cigarro, não, não estou desesperada, não mais do que sempre estive, nothing special, baby, não estou louca nem bêbada, estou é lúcida pra caralho e sei claramente que não tenho nenhuma saída, ah não se preocupe, meu bem, depois que você sair tomo banho frio, leite quente com mel de eucalipto, ginseng e lexotan, depois deito, depois durmo, depois acordo e passo uma semana a banchá e arroz integral, absolutamente santa, absolutamente pura, absolutamente limpa, depois tomo outro porre, cheiro cinco gramas, bato o carro numa esquina ou ligo para o CW às quatro da madrugada e alugo a cabeça dum panaca qualquer choramingando coisas tipo “preciso-tanto-uma-razão-para-viver-e-sei-que-essa-razão-só-está-dentro-de-mim-baba-bá-bababá” e me lamurio até o sol pintar atrás daqueles edifícios sinistros, mas não se preocupe, não vou tomar nenhuma medida drástica, a não ser continuar, tem coisa mais autodestrutiva do que insistir sem fé nenhuma? Ah, passa devagar a tua mão na minha cabeça, toca meu coração com teus dedos frios, eu tive tanto amor um dia, ela pára e pede, preciso tanto tanto tanto, cara, eles não me permitiram ser a coisa boa que eu era, eu então estendo o braço e ela fica subitamente pequenina apertada contra meu peito, perguntando se está mesmo
muito feia e meio puta e velha demais e completamente bêbada, eu não tinha estas marcas em volta dos olhos, eu não tinha estes vincos em torno da boca, eu não tinha este jeito de sapatão cansado, e eu repito que não, que nada, que ela está linda assim, desgrenhada e viva, ela pede que eu coloque uma música e escolho ao acaso o Noturno número dois em mi bemol de Chopin, eu quero deixá-la assim, dormindo no escuro sobre este sofá amarelo, ao lado das papoulas quase murchas, embalada pelo piano remoto como uma canção de ninar, mas ela se contrai violenta e pede que eu ponha Ângela outra vez, e eu viro o disco, amor meu grande amor, caminhamos tontos até o banheiro onde sustento sua cabeça para que vomite, e sem querer vomito junto, ao mesmo tempo, os dois abraçados, fragmentos azedos sobre as línguas misturadas, mas ela puxa a descarga e vai me empurrando para a sala, para a porta, pedindo que me vá, e me expulsa para o corredor repetindo não se esqueça então de me mandar aquele cartão de Sri Lanka, aquele rio lodoso, aquela tez azeitonada, que aconteça alguma coisa bem bonita com você, ela diz, te desejo uma fé enorme, em qualquer coisa, não importa o quê, como aquela fé que a gente teve um dia, me deseja também uma coisa bem bonita, uma coisa qualquer maravilhosa, que me faça acreditar em tudo de novo, que nos faça acreditar em tudo outra vez, que leve para longe da minha boca este gosto podre de fracasso, este travo de derrota sem nobreza, não tem jeito, companheiro, nos perdemos no meio da estrada e nunca tivemos mapa algum, ninguém dá mais carona e a noite já vem chegando. A chave gira na porta. Preciso me apoiar contra a parede para não cair. Por trás da madeira, misturada ao piano e à voz rouca de Ângela, nem que eu rastejasse até o Leblon, consigo ouvi-la repetindo e repetindo que tudo vai bem, tudo continua bem, tudo muito bem, tudo bem. Axé, axé, axé! eu digo e insisto até que o elevador chegue axé, axé, axé....

Caio F. de Abreu.


------ a lora, como sempre, mexeu no meu vespeiro. Reler Caio F de abreu, era o q fatava pra me fuder. Sou só arrepios.






Quase Nada --- 1o. setembro 2016 -----

De você sei quase nada
Pra onde vai ou por que veio
Nem mesmo sei
Qual é a parte da tua estrada
No meu caminho

Será um atalho
Ou um desvio
Um rio raso
Um passo em falso
Um prato fundo
Pra toda fome
Que há no mundo

Noite alta que revele
Um passeio pela pele
Dia claro madrugada
De nós dois não sei mais nada

De você sei quase nada
Pra onde vai ou por que veio
Nem mesmo sei
Qual é a parte da tua estrada
No meu caminho

Será um atalho
Ou um desvio
Um rio raso
Um passo em falso

Um prato fundo
Pra toda fome
Que há no mundo
Se tudo passa como se explica
O amor que fica nessa parada
Amor que chega sem dar aviso
Não é preciso saber mais nada


Sins (Caio sabe fudê tudo, e eu gosto)

"Andei pensando coisas. O que é raro, dirão os irônicos. Ou “o que foi?” — perguntariam os complacentes. Para estes últimos, quem sabe, escrevo. E repito: andei pensando sobre amor, essa palavra sagrada. O que mais me deteve, do que pensei, era assim: a perda do amor é igual à perda da morte. Só que dói mais. Quando morre alguém que você ama, você se dói inteiro(a) — mas a morte é inevitável, e portanto normal. Quando você perde alguém que você ama, e esse amor — essa pessoa — continua vivo(a), há então uma morte anormal. O NUNCA MAIS de não ter quem se ama torna-se tão irremediável quanto não ter NUNCA MAIS quem morreu. E dói mais fundo — porque se poderia ter, já que está vivo(a). Mas não se tem, nem
se terá, quando o fim do amor é: NEVER.
Pensando nisso, pensei um pouco depois em Boy George: meu-amor-me-abandonou-e-semele-não-vivo-então-quero-morrer-e-quero-morrer-drogado. Lembrei de John Hincley Jr., apaixonado por Jodie Foster, e que escreveu a ela, em 1981: “Se você não
me amar, eu matarei o presidente.” E deu um tiro em Ronald Reagan. A frase de Hincley é a mais significativa frase de amor do século XX. A atitude de Boy George — se não houver golpe publicitário nisso — é a mais linda atitude de amor do século XX. Penso em Werther, de Goethe. E acho lindo.
No século XX não se ama. Ninguém quer ninguém. Amar é out, é babaca, careta. Embora persistam essas estranhas fronteiras entre paixão e loucura, entre paixão e suicídio. Não compreendo como querer o outro possa tornar-se mais forte do que querer a si próprio. Não compreendo como querer o outro possa pintar como saída de nossa solidão fatal. Mentira: compreendo, sim. Mesmo consciente de que nasci sozinho do útero de minha mãe, berrando de pavor para o mundo insano, e que embarcarei sozinho num caixão rumo a sei lá o quê, além do
pó. O que ou quem cruzo entre esses dois portos gelados da solidão é mera viagem: véu de maya, ilusão, passatempo. E exigimos o eterno do perecível, loucos.
Depois, pensei também em Adèle Hugo, filha de Victor Hugo. A Adèle H. de François
Truffaut, vivida por Isabelle Adjani. Adèle apaixonou-se por um homem. Ele não a queria. Ela o seguiu aos Estados Unidos, ao Caribe, escrevendo cartas jamais respondidas, rastejando por amor. Enlouqueceu mendigando a atenção dele. Certo dia, em Barbados, esbarraram na rua.
Ele a olhou. Ela, louca de amor por ele, não o reconheceu. Ele havia deixado de ser ele:
transformara-se no símbolo sem face nem corpo da paixão e da loucura dela. Não era mais ele: ela amava alguém que não existia mais, objetivamente. Existia somente dentro dela. Adèle morreu no hospício, escrevendo cartas (a ele: “É para você, para você que eu escrevo” — dizia Ana C.) numa língua que, até hoje, ninguém conseguiu decifrar.
Andei pensando em Adèle H., em Boy George e em John Hincley Jr. Andei pensando
nesses extremos da paixão, quando te amo tanto e tão além do meu ego que — se você não me ama: eu enlouqueço, eu me suicido com heroína ou eu mato o presidente. Me veio um fundo desprezo pela minha/nossa dor mediana, pela minha/nossa rejeição amorosa desempenhando papéis tipo sou-forte-seguro-essa-sou-mais-eu. Que imensa miséria o grande amor — depois do não, depois do fim — reduzir-se a duas ou três frases frias ou sarcásticas. Num bar qualquer, numa esquina da vida.
Ai, que dor: que dor sentida e portuguesa de Fernando Pessoa — muito mais sábio —, que nunca caiu nessas ciladas. Pois como já dizia Drummond, “o amor car(o, a) colega esse não consola nunca de núncaras”. E apesar de tudo eu penso sim, eu digo sim, eu quero Sins."

Extremos da Paixão
O Estado de S. Paulo, 8/7/1986

pequenas epifanias de Caio F. de Abreu

 "Dois ou três almoços, uns silêncios.
Fragmentos disso que chamamos de “minha vida”.

Há alguns dias, Deus — ou isso que chamamos assim, tão descuidadamente, de Deus —
enviou-me certo presente ambíguo: uma possibilidade de amor. Ou disso que chamamos,
também com descuido e alguma pressa, de amor. E você sabe a que me refiro.
Antes que pudesse me assustar e, depois do susto, hesitar entre ir ou não ir, querer ou não
querer — eu já estava lá dentro. E estar dentro daquilo era bom. Não me entenda mal — não
aconteceu qualquer intimidade dessas que você certamente imagina. Na verdade, não
aconteceu quase nada. Dois ou três almoços, uns silêncios. Fragmentos disso que chamamos,
com aquele mesmo descuido, de “minha vida”. Outros fragmentos, daquela “outra vida”. De
repente cruzadas ali, por puro mistério, sobre as toalhas brancas e os copos de vinho ou água,
entre casquinhas de pão e cinzeiros cheios que os garçons rapidamente esvaziavam para que
nos sentíssemos limpos. E nos sentíamos.
Por trás do que acontecia, eu redescobria magias sem susto algum. E de repente me sentia
protegido, você sabe como: a vida toda, esses pedacinhos desconexos se armavam de outro
jeito, fazendo sentido. Nada de mau me aconteceria, tinha certeza, enquanto estivesse dentro
do campo magnético daquela outra pessoa. Os olhos da outra pessoa me olhavam e me
reconheciam como outra pessoa, e suavemente faziam perguntas, investigavam terrenos: ah
você não come açúcar, ah você não bebe uísque, ah você é do signo de Libra. Traçando
esboços, os dois. Tateando traços difusos, vagas promessas.
Nunca mais sair do centro daquele espaço para as duras ruas anônimas. Nunca mais sair
daquele colo quente que é ter uma face para outra pessoa que também tem uma face para você,
no meio da tralha desimportante e sem rosto de cada dia atravancando o coração. Mas no
quarto, quinto dia, um trecho obsessivo do conto de Clarice Lispector — “Tentação” — na
cabeça estonteada de encanto: “Mas ambos estavam comprometidos. Ele, com sua natureza
aprisionada. Ela, com sua infância impossível.” Cito de memória, não sei se correto. Fala no
encontro de uma menina ruiva, sentada num degrau às três da tarde, com um cão basset também
ruivo, que passa acorrentado. Ele para. Os dois se olham. Cintilam, prometidos. A dona o
puxa. Ele se vai. E nada acontece.
De mais a mais, eu não queria. Seria preciso forjar climas, insinuar convites, servir vinhos,
acender velas, fazer caras. Para talvez ouvir não. A não ser que soprasse tanto vento que
velejasse por si. Não velejou. Além disso, sem perceber, eu estava dentro da aprendizagem
solitária do não pedir. Só compreendi dias depois, quando um amigo me falou — descuidado,
também — em pequenas epifanias. Miudinhas, quase pífias revelações de Deus feito joias
encravadas no dia a dia.
Era isso — aquela outra vida, inesperadamente misturada à minha, olhando a minha opaca
vida com os mesmos olhos atentos com que eu a olhava: uma pequena epifania. Em seguida
vieram o tempo, a distância, a poeira soprando. Mas eu trouxe de lá a memória de qualquer
coisa macia que tem me alimentado nestes dias seguintes de ausência e fome. Sobretudo à
noite, aos domingos. Recuperei um jeito de fumar olhando para trás das janelas, vendo o que
ninguém veria.
Atrás das janelas, retomo esse momento de mel e sangue que Deus colocou tão rápido, e
com tanta delicadeza, frente aos meus olhos há tanto tempo incapazes de ver: uma
possibilidade de amor. Curvo a cabeça, agradecido. E se estendo a mão, no meio da poeira de
dentro de mim, posso tocar também em outra coisa. Essa pequena epifania. Com corpo e face.
Que reponho devagar, traço a traço, quando estou só e tenho medo. Sorrio, então. E quase paro
de sentir fome."


Esse é um texto do Caio. E eu voltei nele pq nele tenho vontade de nunca mais sair das letras, só através delas me faço entender, e encontro a compreensão.

Obrigada Caio, por ter sido tão maravilhosamente completo.

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

esses dias_o vento vai responder_


Meu coração tá batendo
Como quem diz:
"Não tem jeito!"
Zabumba bumba esquisito
Batendo dentro do peito...



TA FODA. ta barril.tô lascada. é isso. eu sei.
Mês fudido, lascando com meus processos subjetivos. Eu preciso dizer que tô pra ficar doida. Se não fosse a música pra onde ia tudo?

Vamo lá. Abstrai. 












Eu não vou mudar, não
Eu vou ficar são
Mesmo se for só
Não vou ceder
Deus vai dar aval sim
O mal vai ter fim
E no final, assim, calado
Eu sei que vou ser coroado
Rei de mim


...tua lembrança... a estrela me guia.. da alfazema... fiz um bordado, vem meu amor, é hora de acordar..... tenho um anis, tenho hortelã...tenho um cesto de flores, eu tenho um jardim e uma canção....vivo felizzz, eu tenho um amor , eu tenho um desejo e um coração, tenho coragem sei quem eu sou, eu tenho segredo e uma oração. Sei que a minha força é quase santa, como foi santo meu penar foi provocar desejo e  depois renunciar. Estive cansado, meu orgulho de deixou cansado, meu egoismo em deixou cansado, minha vaidade me deixou cansado... não falo pelos outros...só falo por mim.... NINGUÉM VAI ME DIZER O QUE SENTI. ____Amo amo amo amo_ e eu vou cantar uma canção pra mim. 




ja fizemos promessas demaisssss.... já me acostumei com a tua voz, quando estou contigo estou em paz.........quando não estas aqui , teu espirito se perde, voooooaaaaa longeeeeee, lonnnnnnngeeeee.......

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

3 anos

Essa semana.
Ainda bem que dia 19 eu estarei na roça
Agosto virou um mês tenso desde que meu amigo morreu
na verdade, sempre foi um mês de muita demora, e com muita coisa
mas desde 2013 é um mês que começa e termina com dor e saudade

dia 19, estarei lá, e não há lugar melhor para estar. É dia de obrigação pra meu Oguiã. Ou seja, estou certa de que sua espada estará por mim.

Vai ser um dia que irei acordar revivendo uma perda
um dia de tentar encontrar um pouquinho de meu amigo

eu penso ele quase todos os dias de minha vida
eu olho a foto dele todo dia quando acordo
eu ainda lembro da voz dele
ainda ouço suas brincadeiras
ainda sinto o cheiro de seu perfume preferido
ainda escuto suas brincadeiras
ainda ouço ele me chamar de kenga
ainda espero adivinhar suas reações ouvindo minhas novidades
ainda escuto seus esporros quando apronto alguma coisa
ainda escuto seu ronco

ainda lembro de nossas confissões, ainda lembro de seus ensinamentos
das vezes que precisei brigar com ele
das noites e noites e noites no ponto de ônibus, sendo universitários felizes, cheios de planos
lembro das vezes que disse, que avisei, e ele não me ouviu

e é por isso que ele n me procurou.

Eu amo tanto ele
o tempo pode ser tão estranho
como pode já fazer 3 anos?
parece tudo tão recente pra mim
no show de legião eu estive com ele
assim como em tantos outros momentos
queria tanto que ele me visse vestida de ekedi, queria tanto levar ele lá
queria tanto que ele conhecesse minha casa
e que me xingasse pq ainda n escrevi nem uma linha

Meu amigo
meu amor
nunca morra dentro de mim
nunca me deixe esquecer sua voz

tenho tanta coisa pra te contar

te amo

quando a hora vai chegando

eu posso estar perto de dar um tiro no pé
posso estar começando o inicio da minha tragedia
daquela virada da vida
que a gente nunca sabe onde vai desenbocar
e que tudo diz que não vai ser facil
eu sei
eu sei
eu sei
e não consigo evitar.
É como se já não desse mais pra não pensar nisso
pra evitar os desvios
eu posso estar toda errada e toda enganda
e ja saber o final disso
e ainda assim estar querendo pagar essa conta
ainda assim querer.
há um tanto de sadismo nisso
há um tanto de boicote
e há um tanto enorme de inevitabilidade
é a hora de começar a contar minha história de um outro jeito,
num outro tom
num outro rumo
eu não sei quando
não olhei no calendário
e agora preciso focar nos prazos
mas eu já sinto o cheiro da vida mudando
 

eu já sei que serei outros contos em outros cantos.

"Meu bem
Talvez você possa compreender a minha solidão
O meu som, a minha fúria e essa pressa de viver
E esse jeito de deixar sempre de lado a certeza
E arriscar tudo de novo com paixão
Andar caminho errado pela simples
Alegria de ser"


quinta-feira, 11 de agosto de 2016

11

hoje é 11 e o dia foi foda.
dormi lá
acordei lá
passei o dia lá
e terminei o dia com o por do sol
ainda bem
11 é muito mais q cabalístico
é profético
eu nem sabia quantos mil quilometro de distancia estão ocorrendo nesse momento

1.119 km de condução

951,83 km em linha reta

é chão
é tempo
e significa absolutamente nada

Eu espero que lá tenha tido chuva, que troveje, e caia a maior tempestade dos últimos tempos. Desejo que os farelos de bolo fiquem pela casa e que a pia fique cheio de copo pra lavar

e que se sobrar um tempinho, fagner toque bem alto e a voz do banheiro saia mais alto ainda.

Espero também que uma hora dessas o presente chegue no mar, pode ser no rio tb. Oraiêiê ô

Que role uma pesca, e o barulho do barco ocupe todos os espaços.
Espero também que a espera seja boa, e que até que a gente chegue lá, cheguemos em muitos lugares, e contemos muitas histórias, até  que as cadeiras na frente de casa, lá no bairro do Santo Antonio, perto do boteco Monte Pascoal, conheça enredo por enredo. E todas as taças de vinhos, encostadas no pé da cadeira,  sejam para celebrar o tempo que passou, e passamos, e brindar o que vai vir: samba, colchão na sala, a vida dos outros na caçada vendo o topo da igreja e os menino correndo de lá pra ca. 

é muita coisa que eu espero. 
E tudo cabe no 11.

O por do sol leonino bombou hoje no meu quintal.Okê Arô
 


 
 
 

terça-feira, 9 de agosto de 2016

gotejando



gota:




s.f. Quantidade muito pequena de um líquido que se destaca sob a forma de um glóbulo; pingo. Quantidade muito pequena.loc. adv.Gota a gota, aos pinguinhos, pingo por pingo; lentamente, pouco a pouco.








Na verdade, o problema não é a gota.


Tá, comecei esse post e forma bem autista e esquizo. Gosto inclusive quando minha cabeça funciona assim, mas as pessoas que me leem não. É como aquele povo que me faz rir, porque pressupõe que sabemos o que se passou na cabeça dele antes q eles começarem a falar. Não, calma, há todo um percurso, e um devir de sentidos nesse post, não é só um devaneio aleatório, ou é..
Retornando para a gota. Hoje ouvi a seguinte inquietação:

- eu sou intensidade e vc me vem com gotas.

Acho que foi das coisas mais lindas que ouvi nos últimos tempos , profundas e simbólica sobre intensidades.

Aí, a de cá, que é assim, movida a fluxos de intensidades, já catou. Preciso trazer isso para além do simbólico, preciso tornar isso palpável para nossas vidas. A metáfora da gota. pode funcionar em muitos aspectos.

Preciso voltar para a gota.
Foco.
Na verdade se pensarmos para além do efeito estático que visualizamos, normalmente, a gota, conseguiremos ver que a gota dificilmente cai sozinha, e nunca cai igual, e nunca é igual.. O que lasca com a gota é a nossa incrível capacidade de congelar e deixar tudo estático.Querer que tud tenha um efeito fotográfico paralisante. É um esforço diário mudar isso, pra não ser mais do mesmo.

A primeira coisa que eu tenho pra falar sobre isso é a relação, posta na frase, entre intensidade e a gota.
Como foi dito, é como se não houvesse intensidade na gota, ou, mais grave, é como se, ignorássemos que as enxurradas são gotas, gotas, gotas, milhões de gotas. Um cachoeira de gotas, um oceano de gotas, rios inteiros de gotas.
As intensidade as vezes podem ser mais efêmeras do que a gota. Pq  caem de vez,  e como uma queda d´agua vão embora com a mesma intensidade e rapidez que brotaram.As catastrófres das grandes águas simbolizam bem seus estragos: redemoinho, enchente, inundação, tsunami...
Talvez por não ser especialista em natação, eu tenha medo de afogar nas grandes águas. Cautela.Respira, pega ar, mergulha aos poucos, sem perdão o chão, sem perder a superfice.

Gotas são tão intensas que há relatos de torturas físicas gravíssimas usando só uma gota. As vezes as gotas salvam vidas. Uma gota no meio do deserto pode salvar uma vida. Ou até mais de uma.A gotinha do soro caindo no leito de um hospital não pode falhar.

Na verdade o problema, para mim, são os conta gotas. Apesar de muito importantes, pq as vezes eles garantem uma dosagem curativa.  Mas eu preciso confessar, contas gotas são uma regulagem escrota. Uma tecnologia de controle absurda que pode destruir qualquer chance de vida.
A merda do conta gotas tem a função miserável de controlar. Isso não pode ser bom. Apesar, de necessário, e ter lá sua utilidade em estratégias de sobrevivência.

Meu conta gotas veio com defeito. OU, em algum momento da vida, que eu não me lembro exatamente qual,  eu me estranhei com ele e boicotei, joguei no lixo. As vezes eu queria que ele voltasse a funcionar, preu ter a falsa sensação de que estou salva de mim mesmo.

A gota não necessariamente precisa brotar do conta gotas. Ela podem simplesmente existir, e proliferar, e multiplicar, e virar mares e oceanos. E virar poesia, e/ou, lindas histórias.... de gota em gota.

Acho que a suavidade da gota, tem uma intensidade monstruosa.  Gota pode ser carinhosamente chamada de pingo. Olha só que coisa linda pode virar: toma um pingo de mim. De pingo, em pingo, me tens inteira.

Eu sou réu confesso. Vivo a gotejar. Sim, eu, a filha de Oxum. Justo. A gota de água doce que não resiste a uma água salgada que cai no rosto, quando sou levada por uma enxurrada.



Insisto caetaneando:

"Não sou proveito, sou pura fama..." , a música que diz muito sobre minhas incompetências.



Em tempo: Morrer afogada é um pânico bem antigo e particular meu.









quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Volta, ja pode voltar, paz.

 Olha.... Uma vez um homem serio e experiente disse uma coisa pra una amiga e isso serve pra mim até hoje: saudade pode causar os maiores estragos da nossa vida. Como eu posso ta com tanta saudade? Ainda mais depois de ontem. Tanta coisa dentro de mim. Queria um dia inteiro num lugar longe de tudo. Sozinha só pensando e sentindo. Vou dar um jeito de me dar isso.  Sei é q sei como não enlouquecer.... eu sei: Tocar e cantar 


                                                                                                                                                                Se a gente lembra só por lembrar
O amor que a gente um dia perdeu
Saudade inté que assim é bom
Pro cabra se convencer
Que é feliz sem saber
Pois não sofreu
Porém se a gente vive a sonhar
Com alguém que se deseja rever
Saudade, entonce, aí é ruim
Eu tiro isso por mim
Que vivo doido a sofrer
Ai quem me dera voltar
Pros braços do meu xodó
Saudade assim faz roer
E amarga qui nem jiló
Mas ninguém pode dizer
Que me viu triste a chorar
Saudade, o meu remédio é cantar.     



luiz gonzada, o cantador de amor.      

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Encontre-me em Montauk .


Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembrança

“- Eu tenho que ir…
Tenho que alcançar minha carona.
- Então vá.
- Eu fui.
- Achei que talvez fosse maluca… Mas você era interessante…
- Queria que tivesse ficado.
- Eu também queria ter ficado.
Agora eu queria ter ficado, queria ter feito um monte de coisas.
Eu queria ter… eu queria ter ficado… queria sim.
- Eu desci e você tinha ido.
Eu sai… sai pela porta
- Porquê?
- Não sei. Me senti um menino apavorado, era mais forte que eu… não sei.
- Estava com medo?
- Estava… pensei que soubesse que eu era assim.
- Corri de volta pra fogueira tentando superar minha humilhação, eu acho.
- Foi alguma coisa que eu disse?
- Foi.
- Você disse: "Então vá”, com tanto desdém, sabe?
- Me desculpe…
- Tudo bem.
….
- Joely…
- E se voce ficasse dessa vez?
- Eu fui embora pela porta… não sobrou nenhuma lembrança.
- Volte e faça uma despedida, pelo menos. Vamos fingir que tivemos uma.
- Tchau, Joel.
- Eu te amo.
- Encontre-me em Montauk….“


amanhã

Menina, amanhã de manhã
quando a gente acordar
quero te dizer
que a felicidade vai
desabar sobre os homens
vai
desabar sobre os homens
vai
desabar sobre os homens

Na hora ninguém escapa
debaixo da cama
ninguém se esconde
a felicidade vai
desabar sobre os homens
vai
desabar sobre os homens
vai
desabar sobre os homens

Menina, ela mete medo
menina, ela fecha a roda
menina, não tem saída
de cima, de banda ou de lado.
Menina, olhe pra frente
Oh! menina, todo cuidado,
não queira dormir no ponto,
seguro o jogo, atenção.
(De manhã)

Menina, a felicidade
é cheia de praça,
é cheia de traça
é cheia de lata
é cheia de graça.

Menina, a felicidade
é cheia de pano
é cheia de peno
é cheia de sino
é cheia de sono

Menina, a felicidade
é cheia de ano
é cheia de Eno
é cheia de hino
é cheia de ONU.

Menina, a felicidade
é cheia de an
é cheia de en
é cheia de in
é cheia de on

Menina a felicidade
é cheia de a
é cheia de e
é cheia de i
é cheia de o

é cheia de a
é cheia de e
é cheia de i
é cheia de o