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quarta-feira, 18 de abril de 2012

Monsanto, um mal desnecessário.




O mundo segundo a Monsanto é um filme de denuncia de uma estratégia de desenvolvimento desumanizada, uma estratégia privada com consentimento estatal que tem como meta o faturamento, sem qualquer preocupação com o impacto socioambiental que provocaria em escala grotesca.

Empresa Monsanto especializada em biotecnologia agrícola, lançou mão da aceleração de produção agrícola e pecuária vislumbrando nos  empreendedores a ideia do controle sob o que até então dependia da produção natural de alimentos como soja e leite.

Os alimentos transgênicos, quando surgiram foram considerados o ápice do desenvolvimento agrícola, e o filme mostra em depoimentos que qualquer tentativa de questionamento sobre essa prática era barrada com o discurso de que uma oposição a eles seria “anti-desenvolvementista”, o que em um mundo onde o discurso do desenvolvimento é um forte alicerce socioeconômico, seria um “desserviço” mundial.

O vídeo se preocupa em captar provas documentais e depoimentos das pessoas envolvidas nas engenharias alimentícias, inclusive os próprios cientistas, e em confrontamentos entre relatos documentados e depoimento para o filme, fica obvio de a Monsanto sempre soube das prováveis mortes e epidemias que seus produtos causariam a comunidades inteiras.

Quando existem algumas vozes no contra-discurso da engenharia e venda desses produtos transgênicos essas vozes são caladas com subornos e demissões. A base das negociações da Monsanto com as secretarias agricolas - que teriam a  função de regulamentar e fiscalizar a produção desses alimentos e seus impactos diretos na saúde dos cidadãos - era acúmulo de capital. Nunca foi a ética, nunca foi o interesse em uma sociedade saudável.

É interessante colocar em pauta, a denúncia indireta que o filme faz sobre a autonomia das pesquisas científicas.  Alerta sobre o perigo do discurso da verdade das pesquisas cientifica no imaginário social. Imaginar que essas pesquisas são realizadas sem qualquer interesse capitalista, de venda de marcas de laboratórios é uma grave ilusão, que coloca em cheque, a imparcialidade dessas pesquisas e levanta uma discussão necessária sobre o que rege esses interesses e nos investimentos que são feitos, principalmente nas pesquisas das ciências exatas e biociências. Não é por acaso a diferença entre os investimentos feitos nessas pesquisas e nas pesquisas oriundas das ciências humanas.

A situação não para por aí, a destruição pela importância a vida humana chega a outros extremos, como a situação dos soldados americanos contaminados no Vietnã pelos pesticidas, e os resultados alarmantes das doenças epidêmicas genéticas que vieram a partir daí, como esclerose múltipla, gestações de anencéfalos e hidrocefálicos.


Não satisfeitos com a nocividade pelas vias das falsificações de pesquisas científica e propagações de produtos nocivos à saúde dos seres humanos, a Monsanto cria estratégia de proteger sua patente aplicando golpes em produtores rurais para garantir a hegemonia na venda de sementes modificadas geneticamente, com objetivo claro de tirar do mercado as sementes naturais.

A situação na Índia com as “sementes do suicídio” é mais uma denuncia contra a empresa que utiliza de golpes para manipular a agricultura de algodão naquela localidade, usando de artifícios desonestos de marketing para vender as sementes modificadas que além de não atingirem o propósito prometido ainda levam as alturas os gastos desses micros agricultores que se veem em situações criticas de impossibilidade de levar a diante seu trabalho com o algodão, chegando ao extremo do número de 680 suicídios de agricultores num curto espaço de meses motivado pelas frustrações no trabalho agrícola.

No México o impacto nocivo da hegemonia das sementes geneticamente modificadas, atingiu não só biologicamente falando comunidades inteiras, que se quer tinham interesse de comercializar suas plantações. O milho plantado em Oaxaca, no México, era tradicionalmente plantado em solo natural sem interferências de agrotóxicos, porém um “descontrole genético” atinge essa comunidade no sentido de que esses milhos até então naturais passam a ser “infectados” pela cobiça do desenvolvimento agrário e invadem a agricultura de subsistência daquela localidade e de tantas outras ainda não pesquisadas.

Desconheço se Milton Santos teve acesso a essas informações, mas se teve, provavelmente concordaria a comigo que seria, inclusive, ingênuo chamar de desonestidade intelectual a forma com que a Monsanto se apropria de discursos de problemáticas sociais, como a fome, para justificar a aceleração da produção agrícola pelas vias da modificação genética. A empresa demonstra total alinhamento com a ideologia capitalista liberalista ortodoxa e não se preocupa em projetar futuramente como serão as consequências da exploração da biotecnologia visando somente o lucro desenfreado.

A ação da Monsanto no Paraguai é mais um exemplo de sua pretensão de controlar a distribuição de alimento no mundo, para isso não mede esforços em impactar inclusive modos de viver de quem não se filia a imposição capitalista de distribuição de alimentos, como é o caso dessas localidades especificas que estão se vendo cercadas e invadidas por uma tecnologia que não fora solicitada.

Alguma semelhança com as formas colonizadoras que vimos acontecer pelo mundo? Alguma semelhança com o que conhecemos como Imperialismo? Como conciliar o desenvolvimento que econômico e social sem perder as rédeas para empresas como a Monsanto?
São perguntas que me inquietam e que ainda não tenho respostas.

por Carla Freitas

segunda-feira, 16 de abril de 2012

É tudo uma questão de Gênero.


Eis um vídeo que complementa meu raciocínio do post anterior sobre questões de gênero.
A socióloga Berenice Bento em um evento Natal falando didaticamente. 
Super vale a pena ver!

domingo, 15 de abril de 2012

Micro-política anti-machista do lar

Eu não vejo melhor caminho para reciclarmos os costumes das relações Pai X Filho -  Mãe X Filho do que a reformulação da própria dinâmica familiar.

A deficiência é tão grande  e pautada tão fortemente no machismo que o sujeito entra em casa depois de um dia de atividade cheio e age como se o filho fosse um chocalho, brinca, sacode e tchau.
Quando questionado sobre seu papel na paternidade, ele joga o trabalho em questão justificando o cansaço e ausência do exercício pratico de ser pai. Ignorando completamente a demanda de atividade da pessoa que irá assumir o que é de sua responsabilidade, a mãe, a vó, ou baba.

O que vem por trás desse discurso praticado é o entendimento errôneo e determinista de que a mulher "tem mais pratica" , é possuidora de um "dom materno especial" que a faz dar conta de todas atividades, trabalho,estudo e todos os filhos.

É simples assim, chegamos em casa juntos, marido e mulher. O marido já contando que "alguém" vai suprir o que é também sua obrigação, senta na mesa e come, sem nenhuma preocupação com a comida do filho. Ele simplesmente, naturalmente sabe que alguém , provavelmente do sexo feminino, fará.

O marido chega em casa junto com a mulher. Alguma vez ele entra e leva o filho ao banheiro? Não. Pelo contrário. Ele entra toma o banho tranquilamente, sai do banheiro e vai pra varanda... porque alguém certamente tem mais "jeito" para dar banho no filho que precisa que alguém dê banho.

Em fim, a lógica machista age de diversas formas. E está latente no dia-a-dia inclusive de quem se diz muito politicamente ativo, contra as injustiças.... vem em frases assim que soam inocência... " ô amor, filhinho precisa almoçar." , "ô amor, filhinho precisa tomar banho...." Ele age carinhosamente , sugestivamente no comando da tarefa nunca no exercício dela.

Para um homem machista nenhuma atividade que a mulher, mãe ou baba faça será tão consumidora do que a dele...  é por isso que temos desde bebezinhos não só dar carrinhos e jogos estimulantes pra nossas filhas conquistarem atributos da masculinidade que lhe darão alguma chance de ter poder na vida.... é muitíssimo importante que nossos filhos meninos, brinquem de boneca, troquem a  fralda, se deem banho...aprendam a  ser mães. Porque se pra menina ter que aprender a ser menino é uma estratégia de sobrevivência num mundo onde o homem é referencia de tudo que é melhor.... para ao menino aprender a ser menina é questão de um mundo menos machista, mais solidário, com crianças mais saudáveis e autônomas.

O que faz hoje em dia um casamento dar certo é sem duvida a qualidade da relação amorosa, afetiva e sexual. Porque, muito facilmente, a mulher de fato se adapta com ausência desse "pai do filho" dentro da própria casa e esse muitas vezes este homem  lhe invade a ponto de, além de ser desnecessário, passa a ser um peso invasivo em sua rotina, planos e entranhas.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

O sono que eu tenho

Nessa hora é a hora que eu sei que meu corpo precisaria adormecer. Meus olhos estão lutando para se manter abertos e eu não quero ir. Adoro essa hora da noite. Hora que ninguém ta aqui de meu lado. Que eu finalmente estou sozinha em casa. Sem crianças me solicitando. Sema sogra me sugerindo e me tratando como a baba de meu próprio filho....(e eu ainda tendo que agradecer que ela o papel de pai dele....)Eu simplesmente sinto a paz. Leio os jornais... consigo ler o El Pais completinho.... treino meu espanhol, atualizo meus textos das Ufba, tenho ideias de artigos, falo com as pessoas no msn  e escrevo em meu Blog.
Nessa hora consigo até esquecer que não tenho nem como ver tv deitada pelada na cama. Esqueço que tb não posso estar de calcinha no computador, lembro por algumas horas como é bom esse silêncio.E reforço meu desejo que cresce diariamente de ter o meu cantinho.
Eu juro que não ingrata, eu juro que sentirei até falta.... mas o limite chegou há tempos e é hora e cair fora.



13 de Abril.

E aí hoje eu acordo cantando : "sou metal, raio relâmpago e trovão"

É como se meu coração tivesse adestrado para se manifestar de forma melancólica em algumas datas. Será que é só comigo? Será que só eu não consigo deixar passar algumas datas que talvez já devessem ser passadas desapercebido?

Essa data, em especial, meu coração comemora gritando e meu cérebro, fazendo a parte dele, baixa o volume. E já acostumada a esse ritual anual, meu dia será como nos últimos 13 anos tem sido: meu corpo se moverá no automático, minha cabeça vai tentar imaginar desesperadamente como está seu dia de hoje, e meu coração vai querer muitas vezes sair de mim para ir lá. Dai eu vou acordar e já é amanhã.

Eu espero um dia postar sobre como não me sinto ridícula sobre isso. Como gosto de viver sem me desamarrar completamente de sentimentos antigos e que na prática sua existência não faz o  menor sentido.

Um dia pretendo descobrir se isso é algo que utilizo estrategicamente para tornar minha vida mais subversiva ou se sou demente.

Na verdade eu teria que discutir aqui o que de fato faz sentido, e quem dá sentido as coisas. De fato estudos subalternos e pensadores desconstrutores atuam de forma quase terapêutica.




Nesse dia, para mim, a única coisa que faria sentido seria um abraço bem forte e o cheiro de minancora que não sai de mim.

Hoje, desejo que o amor continue se transformando na eternidade, que seus dias não te maltratem e que as cores do dia-a-dia não se apaguem. No mais... saúde, paz, alegria . Tudo potente em você.

E meu presente, é sem dúvida o melhor sentimento e lembranças de época que jamais vai passar. Feliz aniversário!



quarta-feira, 11 de abril de 2012

O abraço da velha na Boca do Monte

Esse post é para uma casa que não existe mais. A casa da minha vó. Soube hoje que ela foi demolida e por isso a inspiração do post....  é como se, agora, uma parte de mim só existisse em fotos. E olhe que eu tento praticar o desapego... Lá se foi a casa da minha vózinha... demolida. Então escrevo para ela e registro o meu lugar da eternidade.

O ano passava inteirinho até entrarmos no avião com coisas pelos braços, sempre atrasadas para a possibilidade de uma vida nova. Passei a minha infância e boa parte da juventude vivendo com minha mãe suas tentativas de voltar a viver na sua terra natal. Essas tentativas duravam o tempo exato das férias de verão. Exceto uma vez, que o verão durou todo o inverno.
Verde Colorido - Chácara das Flores
Atravessava o país voando, e atravessava o estado gaúcho pela estrada para entrar na Boca do Monte...cheia de verde colorido, chão de pedra embutida, marcado de doces na esquina e chegava no portão menor que eu, com um ferrolho singular e lá estava a velhinha da Vila do Carmo, sentada em sua cadeira de balanço, com o mate do lado , a cabeça branca e o braço molinho, gostoso de apertar.
Dois meses voavam, e aprendi a viver morrendo de saudade de lá, ou de cá. Hoje quando volto a Santa Maria da Boca do Monte diminuiu a cidade, o chão de pedra asfaltou, o mercado virou lan house e a vovó já não está mais ali...Aquela casa, aquela vila, aquela vida , tinha muito cheiro de eternidade....nunca pensei que fosse acabar.
Mas... ainda sento na calçada e dou aquelas risadas infantis, e lavo minhas mãos do cheiro de cigarro cigarro nas filhas das pitangueiras e sonho em soltar meus filhos lá , para essa história continuar....

Vila do Carmo - a casa que só existe em fotos. 

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Aracaju pros olhos e pra alma

Fiquei tão confusa lá. Lugar lindo, cidade organizada, parecia um sonho viver lá.
Me deixou muito feliz ver uma cidade do nordeste tão desenvolvida , aliás, desenvolvida com tanta qualidade.
Dai senti muita vontade de morar lá.... mas acho que desejava isso caso minha vida fosse o que desejava antes de tudo mudar dentro e fora mim. Cheguei a  me ver andando pelas ruas, passeando com filhos e cachorro... cheguei a pensar na confortabilidade de "ser normal". Mas ao mesmo tempo não reconhecia mais naquela vidinha pacata e sem ruídos.
Talvez férias lá... umas férias longa, me ajudasse a sentir isso melhor.Senti desgosto, isso sim. Com Salvador e coma vida que levo hj. Não que me falte alguma coisa... talvez por sobrar muita coisa.
Mas em fim, viajar é sempre bom pra gente saber o que precisamos, mas mais ainda: pra saber o que não precisamos, o que não dependemos... Vamos em frente,que lá vem gente. Matutando uma ida ao sul...com calma e coragem....de sempre. Hasta la vista Santa Maria!

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Pegar a estrada

Fazer o que mais gosto de  fazer. Indo pra Sergipe, com meu filhote e amigos. Um sitiozinho e cidade gostosa, não vejo a hora de ver a cara de Aracajú. Será que vou sair de lá louca pra morar la?
Lógico que vou. A principio fiquei triste pq bê n vai...mas depois pro processo pelo qual passamos eu repensei e vi que, de fato, foi até bom isso ter acontecido, e darmos esse tempo de folga um ao outro...Ir la junto, e eu tinha planos de irmos pra la e agora já não será mais isso nunca...ja foi descartada a possibilidade de sermos "nós" e ja internalizei isso....e cada dia que passo me trabalho para nesse sentido me desprender de toda e qualquer ideia que me leve a esse sentimento....então melhor assim.
João vai adorar...experimentar viajar , vai passar 4 dias com dindo, com Rhuan...vai se divertir.
Em fim, vamo que vamo.
Só vai faltar minha Dudoca que preferiu viajar coma vó.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Carta para Felipe

Lipe,

Quanto tempo não me referia a vc assim.... desde ontem meus pensamentos estão para vc, o Dudu e a Gabi. Confesso que fiquei muito abalada, pq acreditava na recuperação dela, acreditava muito. E sou mãe, divido com ela a angustia de saber que está deixando o filho. Mas, na verdade, estou aqui para falar de você. 
Há uns dez anos atrás vc foi embora da minha vida, da mesma forma que entrou, de supetão. Desde então nunca mais nos olhamos nos olhos e isso é muito esquisito. Hj eu tenho 30 anos , dois filhos e muitas coisas mudadas em mim, meus bens imateriais são os meus mais preciosos, são os bens que eu não posso pegar , mas que tranquilizam minha alma e esclarecem minha escuridão. Eles me permitem por exemplo olhar pra trás e ver que vivemos felizes nosso namoro.... com toda loucurada...me diz,  qual era nosso problema? Dinheiro? Ciumes? Expectativas frustadas? Diante de nossa vida hoje , podemos dizer que tínhamos problemas? 
Em fim, esses bens imaterias que possuo, a vida me deu através de minhas experiencias, da minha tragetória , dos ensinamentos da minha mãe, da troca com a minha irmã, dos namorados que amei, das vezes que me frustei, das risadas que marcaram, do ensinamento diário que meus filhos me possibilitam... e principalmente a Universidade. 
Através dela eu compreendi uma movimentação que muito me inquietava e que não entendia. Não entendia e não gostava , porém não sabia como me movimentar diferente. Algumas coisas na nossa forma de viver a vida me fazia menos segura de meus desejos. 
Hoje quando lembro dos nossos anos de namoro, lembro nossos momentos difíceis, das coisas que me frustravam em vc, e consigo compreender perfeitamente , porque me incomodavam e porque para vc era tão difícil mudar. 
Foi lá na universidade que fui materializar a nossa dimensão no mundo. Fui compreender que somos todos construídos, numa lógica onde alguém constrói as coisas, as leis, os poderes, as religiões, e alguens que dão  valor a tudo na nossa sociedade. Alguéns com interesses nem sempre obvios, nem sempre claros o suficiente para a gente ver.
E aí eu compreendi que temos caixinhas. Caixinhas foram construídas para gente caber dentro, são caixas apertadas, com etiquetas bem escritas "branco" "negro" "índio" "católico" "protestante" "evangélico" "espirita""gay" "hétero""bi" "homem" "Mulher" "Rico" "pobre". Poderia passar a noite aqui, categorizando, falando o nome dessas caixinhas,e ai , aquelas mesmas pessoas que nos dizem e nos lembram todos os dias em qual caixinha nós devemos entrar são as mesmas pessoas que fecham as gavetas e nos deixam de fora de tudo quando por algum motivo não entramos nas caixas. 
Quem tá lá dentro das caixinhas está bem confortável e não quer nem saber o que acontece fora dela. 
E quem não tá? Pois é, tem gente , muita gente que tenta entrar nessas caixas, tenta numa, tenta noutra, e sempre uma parte de si fica de fora. É dificílimo caber nelas, e se conseguir entrar lá dentro é um aperto só, qualquer tentativa de se mexer pode ficar alguma coisa de fora.
E é assim que somos a maioria. Tentamos todos os dias nos encaixar nessas caixas, caber em algum lugar, pertencer a algum lugar, mostrar para pessoas que somos dignos dessas caixas. Muitas vezes nem sabemos se queremos mesmo estar nelas... mas pensar nisso é difícil porque também nos ensinam a não questionar porque temos que entrar em alguma dessas malditas caixas. 
Você e eu temos algo muito em comum, não cabemos nunca nelas. Eu , nunca me senti representada por nenhum esteriótipo de beleza, nunca me percebi igual as mulheres lindas que nos ensinam que são lindas  e que devemos ser assim, devemos atingir esse padrão... e isso me causava muito mal-estar , principalmente quando criança....quando comecei a pensar em namorados. Mas pelo menos eu pensava em namorados, não pensava em namoradas... porque ai já estaria fora de outra caixa. 
Você coube direitinho na caixa que eu não entrei. Lindo de morrer....sempre.Branco, olhos azuis, cabelos lisos, sorriso completo, peso ideal...todo dentro do padrão de beleza..... Mas nunca coube na caixa da "normalidade" , suas necessidades sempre foram fora do padrão. 
E aí  muitas coisas ficam de fora, porque você não atendeu as expectativas da normalidade , que é a caixa básica. Se tem uma coisa que vc não é, é normal. E isso me inquietava. Hoje o que me inquieta é... porque eu tenho que ser normal? Mais: O que é ser normal? Quem determinou o que é ser normal e o que é ser anormal?O que é o certo e o errado? 
E foi assim que eu cheguei a conclusão que ser normal é muito, muito chato. Que ser normal é ser comum, que ser normal é ser igual. E nessa igualdade eu não acredito e eu não quero para mim. Foi assim que de um namorado que me trazia lembranças de dor, você se transformou num grande exemplo de pessoa. 
Você está longe de ser normal e isso é que é lindo em você.
Hoje eu já lembro de nossa relação como a grande oportunidade que tive de viver com o diferente. Depois de você tive duas pessoas intensas na minha vida.Os pais de meus filhos. Eles foram o oposto que vc foi para mim. Foram a centralidade, o equilíbrio,  a normalidade. E foi com eles que mais desejei estar dentro das caixas, que mais lutei para estar dentro da maior quantidade de caixas que podia, quis atender todas as expectativas. No primeiro me frustei, e achei que entrei em poucas caixas, no segundo, foi tão bom pra mim , e é até hoje, que inicialmente sai entrando em todas as caixas que me ensinaram que eram "as melhores". E aí meu bem.... depois de tanto fechar e abrir caixa... resolvi sair de todas . E entrar onde eu quisesse, estrategicamente para sobreviver nessa sociedade, sabendo que nenhuma dessas caixas significa realmente NADA para mim. 
Sou louca? Devo ser.
Você foi o namorado que facilmente mais me desestabilizou, mais me frustrou, mas também o que mais de me acrescentou. Me fez questionar o que queria e não queria pra mim, o que arrancou gargalhas na marra, o que me mostrou o que é coragem, o que esteve por perto por todos esses anos como exemplo de muitas coisas.
O que eu quero dizer com tudo isso, é que depois de uma experiência como essa que vc vem passando, muita coisa sai do lugar, muito sentimento vem a tona e que é muito fácil a gente diante disso pensar que fez e faz tudo errado... mas que pensar nisso não vai te fazer melhor em nada.Você , só vc sabe exatamente onde vc acha que errou, e se isso lhe causa dor , recomece , tudo de novo, como vc fez quando chegou na Bahia, como você fez quando saiu daqui... como vc fez para estar em Camboriú. 
A dor lhe fará companhia ainda por um tempo, mas não faça dela uma companhia ruim, poque até a tal FELICIDADE foi criada, e só quem sabe o limite da sua é você. Isso não é uma carta de auto-ajuda. Isso é uma carta de amor... como a muito tempo não te escrevo uma.
Espero poder te dar um bom abraço dia desses.....
Fica bem, e continue sua caminhada do jeito que você achar melhor, e lembre-se que você não está só.

beijos

Carla.


Uma música para as noites que a dor dor maior que tudo, que a esperança quiser sumir e o mundo tentar gritar uma normalidade que não existe;

Escute:  http://www.youtube.com/watch?v=DIM1taAcUM0

As mortes de 2012

Ontem morreu uma pessoa que não deveria me deixar tão mexida. Isso é esquisito, é como se houvessem pessoas mais dignas de meu sofrimento. Mas não é isso.

Gabriela tinha 27 anos, e eu a admirava. E ela, nem sei se sabia que existia ainda...será q me via nas redes sociais como eu a via ???? .... a unica relação que tínhamos em comum era um ex namorado. Aparentemente éramos bem parecidas... personalidade marcante, um quê feminista e transgressor.... uma inquietude, e parecia ser uma pessoa batalhadora, comprovou isso nesses últimos tempos.

Quando soube que Felipe tava namorando soube junto que Gabriela me odiava, simplesmente por ter feito parte da vida dele.... lembro que achava graça das histórias, tipo que...que ninguém podia falar da Bahia perto dela que o pau já quebrava... nunca entendi esse sentimento destrutivo , mas sempre respeitei e me mantive longe.

Nunca a vi pessoalmente.

Só sabia dos acessos de ciúmes, das fotos rasgadas, das cartas queimadas.... sempre pelos irmãos deles e pessoas em comum. Eu daqui da Bahia só achava graça;
Foram morar juntos fora de Santa Maria e graças ao orkut acompanhei a vida deles, por simples curiosidade de ex, sem nunca, nunquinha (ela sabe disso) interferi na relação deles... lá se foram dez anos.... e tiveram o Eduardo Felipe, hj com uns 6 anos, e eu daqui já tinha a minha Eduarda ...muito amiga da família, vi as fotos do parto, vi o menininho crescer, graças ao orkut.... e soube da separação deles, e dos conflitos por causa da criança.... soube da doença dela há uns dois anos quase... "A GABI DO FELIPE TA COM UM CANCER RARO".

Nossa aquilo foi chocante.

Eu não amava mais o Felipe há seculos, estávamos mais de dez anos longe, e quando via as fotos deles era ate com uma ponta de alegria por ver que a vida dele tava se ajeitando...aquela pessoa muito me preocupava.

Ano passado um pouco antes de eu ir pro Sul eu voltei a ter contato com Felipe, estava muito deprimido , pela separação e pela doença dela, as brigas entre elas não acabaram nem com a doença e logo ele começou a adoecer tb e sentir sintomas de síndrome do panico, conversávamos horas e muitas vezes ele me falou das angustias dele, sempre que pude estive presente , e tentei ajudar no que pude....
Mas cá comigo estava destruída pela doença da Gabriela, era sustador ver aquela menina que de certa forma me relacionei platonicamente morrer aos poucos, acompanhei pelo face, pelo orkut , as idas e vindas dela do hospital, o erro medico, a vontade dela viver, o carinho dela com o filho.... E ai nessa hora fico destruída... pobre criança , isso é tão doloroso pra gente grande.... imagina pra ele...perder a mãe , viver longe do pai, agora ser criado ( ainda bem) por outra família.... estou demolida por dentro. Ela era uma pessoa muito forte e não estou falando isso porque ela morreu. Não. Não mesmo, há alguns postes atras já havia escrito sobre ela , dizendo da minha vontade de me aproximar dela... Quando fui pro Sul senti muita vontade de procurar ela e dizer que sentia muito por tudo e que se não fossem as circunstâncias muito provavelmente nos adoraríamos.... mas tb sentia medo de provocar nela sentimentos desnecessários naquele momento de fragilidade, só por isso não a procurei.

O mais esquisito é que desde ontem, quando soube da morte dela, estou um zumbi, sem nem raciocinar direito, querendo encontrar razão para essas coisas .... e pensando nessa criança...e preocupada com Felipe.
Ele então...afff... falei no telefone e me assustei, ria, ria , ria , não falava coisa com coisa e meu coração apertou,  quem diria , há dez anos atrás quando estávamos nos separando que ele teria que passar por uma barra dessas? Quem diria?

Eu sei quem sempre me envolvo mais do que deveria nessas situações.... mas esse caso especificamente me transbordou... e cética que estou... posso desabafar que algumas vezes já senti ela perto de mim hoje algumas vezes.... se assim for , ela sabe de meus sentimentos.
Da próxima vez irei lá e abraçarei aquele pequeno com todo amor de uma mãe.

Doença cretina.

sexta-feira, 30 de março de 2012

impulso

a vontade é mudar o tudo. é radicalizar, é morar na vila matos , é ter a minha vida , livre de tudo e todos e quem quisesse que viesse reclamar...eu ia era ser feliz, mas uma coisa é certa, fazer isso formada vai ser muito melhor. Não pela condição que creio que não sera muito diferente... mas terei tempo para outras estrategias,a  universidade n tomará tanto tempo de mim, o mestrado sim tomara...mas se n for pela bolsa terei outros planos além dele...e uma mudança, um deslocamento maior será muito mais possível.
em fim, vejo janelas e portas abertas para mim e minha vontade precisa ser canalizada ....só falta alguns meses.

quinta-feira, 22 de março de 2012

A sementinha em mim.

E foi plantada a sementinha do "eu quero" em mim...e agora o que eu mais quero é aquilo que mais tinha medo.
Consegui me liberar da dor, conseguir me liberar do "não posso", e agora sou toda aquilo e já vejo minhas paredes, e meus sons com minhas risadas...e meus choroso nos momentos de dificuldade...que existirão eu sei, mas que serão só meus , ou não.Poderei escolher. Em fim , quero pra mim. Quero minha chave, meu tapete, minha conta , minhas presenças e ausências e isso não me assustará.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Humanizar nossos filhos, é torná-los inteligentes.

Hoje passei por uma experiência com uma jovem 8 anos mais nova que eu, uma pessoa relativamente próxima , de meu ambiente profissional. Essa menina sempre me pareceu madura para umas coisas , mas no geral sempre muito superficial e com um olhar critico deturpado sobre algumas coisas. A minha experiência de relacionamento profissional com ela já me mostrava que ela tinha dificuldade em aceitar se erro. Hoje eu comprovei isso, e vi a vida ensinar a ela sobre como é importante ser HUMANA e o quão inteligente ficamos quando internalizamos isso. Foi bom para mim também

O fato:

Voltando de carona com ela fomos paradas numa blitz. O policial sinalizou, ela parou.

O diálogo:

- Por favor senhorita, a habilitação e o documento do carro...

ela tira a habilitação e lhe entrega. Não acha o documento do carro e diz:

- Moço fiz a revisão do carro e TIRARAM daqui e não COLOCARAM de volta.

o policial:

- Ta sem o documento é? Deixa eu falar com o capitão aqui... ( visivelmente seriamos liberadas)

outro policial se aproxima:

- qual a irregularidade?
- To sem o documento - diz ela.

- Hum,,, tem que andar no carro. Essa infração é apreensão do carro e multa, mas se a senhora tiver como trazer o documento a gente libera

ELA:

- Aaahhh moço, eu n tenho como fazer isso não. Como vou lá?De onibus eu só vou se vc pagar minha passagem. ( BURRICE No.1 - arrogância e ironia com profissionais cansados , loucos para exercer seu momento de poder)

o policial que tava bem intencionado volta e vê o outro policial indignado, mando ela encostar o carro:

- Agora vc complicou a situação.... - disse ele

- Nem é competência de vocês essa situação (BURRICE No.2 - questionando sem qualquer aparato jurídico a competência do policial , que a essa altura tava doido pra causar um problemão na vida dela)

- A senhora por favor desça do carro

o comandante se aproxima e pergunta o caso, após saber fala:

- A gente querendo te liberar e a senhorita agindo com arrogância com quem tá trabalhando pela sua segurança?

Ela quis bater boca dizendo q n tinha como pegar o documento

Eu até então tinha tentado dizer pra imbecil que ela tava fazendo merda..... Ela não ouvia. Nesse instante , a burrice dela me afetou que falei bem séria ,
-Ana, deixa de ser burra, dê um jeito nisso pq seu carro vai ser apreendido.

Na mesma hora ligou pro pai.

Conversei com a equipe toda, demonstrei insatisfação coma postura dela...expliquei que era uma menina mimada..... etc.

O pai chega com o papel e PUTO DA VIDA COM ELA. Um senhor já idoso....o policial o chama para uma conversa e ele humildemente pede desculpa pela filha, diz que a culpa é dele por não ter tido pulso de criar da forma como ele foi criado, que aquilo só demonstrava a falta de experiência dela com a vida...deu um show de humildade e bom senso....e ela ainda assim relutou em assumir o erro e quis bater boca como policial que aquela altura só não mandou o carro apreendido por consideração ao senhor.


Fomos liberadas, e ela ouviu muito no carro.

A minha lição foi: Criar meus filhos para eles nunca serem mimados e não acharem que qualquer que seja sua posição social poder agir de forma grosseira e desnecessárias com as pessoas..... Ajudá-los a ter humildade, bom senso, olhar critico e inteligencia emocional.

Essa menina é visivelmente mimada, e descompromissada com humanização. Engraçado falar disso com quem compactua de uma teoria comigo, uma teoria que justamente humanizar e nos oferece ferramentas de olhar critico.... é comprovação que a teoria muito corriqueiramente não é a prática.

- os grifos vermelhos são para evidenciar sua dificuldade em assumir responsabilidade.

domingo, 11 de março de 2012

Semestre!

Adorando as matérias que peguei!!!!! Acho q acertei em todas por enquanto....tudo q eu precisa as, matérias de mexer o corpo, de acrescentar em gênero , de exercitar meu senso critico e reflexivo... Matérias que n tou acostumada a ver....e pra fechar, criação literária para fazer minha escrita fluir ainda mais!
Confesso que já tou cursando esse semestre pensando no clima de despedida.... Tenho tanto amor pela minha vida acadêmica que não será fácil para mim me formar sem ter garantido que será soh uma transição de etapas. MESTRADOOOOO!!!!!

então... Escrevo para não dizer que não falei de flores....

domingo, 4 de março de 2012

sair desse lugar

...desse lugar de dependência de algo e de alguém. É isso que será pra mim 2012. É por isso que nesse extao instante encerro meu Facebook. Preciso de muitas coisas e todas elas precisam de tempo  e dedicação pra acontecer. Facebook pra mim é rever pessoas e saber das coisas. Eu agora n quero saber de nada. Quero seguir adiante , quero abrir e fechar livro, sentar no computador para mexer em artigo e olhar pra trás em 2013 e dizer : valeu a pena.
A culpa é do Facebook? não .
Não existem culpados, nesse caso existem pessoas que se relacionam de forma desequilibrada e assim foi comigo e o face... comigo e o cigarro. Precisei tirar-los de minha vida para ter de novo o controle da situação efazer o que tem que ser feito.
Seja como for, sobreviverei.