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terça-feira, 21 de agosto de 2012

re-configur-a-ções.

a melhor coisado tempo ir passando é levar as boas coisas que por algum motivo não podem/querem ou devem ficar na nossa vida. Que quando vira saudade fica bem melhor.

Agora passarei por dias inéditos. E estou ansiosa para senti-los. Quero muito conhece-lo nessa nova situação. Quero muito. A vida nadou todos se foram e agora ? E agora? Que será dele? Que será de nós?
Nos suportaremos sem eles?


EM FIM.

Preciso correr.


Sempre que reclamo disso fico me lembrando  de como sem sem correr... como o ócio me deprime...e aí corro feliz.



domingo, 12 de agosto de 2012

Contando conto

O vídeo de 20 minutos foi passando e nele um rosto permaneceu em pausa por minutos demais. Foi visto e revisto muitas vezes. O nome agradava, o sotaque agradava, o rosto congelava na pausa interna,eterna. Depois disso, o esquecimento. Voltar ao vídeo só para pensar: seria possivel? Como seria? Seria? 
E o esquecimento durou duas semanas. De repente, de um outro estado, de uma longa distancia o reencontro com o personagem fez a inquietude voltar. Ao vivo, e a cores. 
Um bom papo, uns bons cigarros. Iniciativa. Sem ela nada existiria hoje. Aquilo que até o video era uma pergunta insistente sobre se seria possivel , se materializava em uma possibilidade encantadora. 
Seria a experiência mais trans-cendental. Seriam correntes partidas, amarras desfeitas e o fluxo sendo respeitado, para além de muitas, muitas normas.
Após a iniciativa a possibilidade deixa esse patamar, e garante uma data e um local ... após meses intensos de expectativa,  e as potencias do desejo todas no ar, é que no tulmulto da ocasião um beijo na testa sela a certeza da noite por vir. 
E num instante escurece. E tudo com muitas cores, gentilezas, bagunça, desejo e contra-regas: amanhece. 
E o sono é observado como tentativa de congelar, como naquele vídeo que  era possível num clique congelar. 
O dia amanhece levando o momento esperado e a pergunta que a toma é: quando mais?
O restante do dia é pressa e inquietude pelo voo a partir algumas horas dali.
Foi muito mais que uma noite. Foi muito mais que uma cisma, uma curiosidade, um experimento. Foi a melhor cisma, a melhor curiosidade o melhor experimento.
Agora é se virar com o maracatu atômico.


sexta-feira, 10 de agosto de 2012

E não é que passou um ano?

Há um atrás eu tava no momento máximo de 2011, as vésperas de ir pro Rio Grande do Sul, eufórica;
Esse ano eu senti muita vontade de ir pelas pessoas que sinto tanta saudade. Mas preciso confessar que talvez não tenha feito tanto esforço para ir. Acho que um distanciamento temporal entre uma ida e outra tem sido cada vez mais necessário. O fato é que eu tenho tido uma postura política muito firme em relação a coisas que eu sei que estão em outro nivel de discussão lá. E eu não tenho problema nenhum em debater sobre isso,  mas quando se trata em debater sobre isso com pessoas que eu cresci e que hj tem posturas, fé e certezas muito diferentes da minha me dá medo. Medo de tudo mudar para sempre. Eu tenho medo de nunca mais querer estar entre eles. É um medo infantil mas está aqui comigo. Eu amo aquelas pessoas e me esforço para ser didática quanto a isso, mas me cansa , me toma , me detona compreender que o tempo e a relaidade é diferente , e ainda me culpo por me sentir um tanto .... pedante ao me sentir assim. 

Em fim; Não fui , não vou.

Ano que vem sim. Quero muito levar meus filhos lá para que eles conheçam o cenário que foi pano de fundo da minha infancia. Mas quero ir desprendida e independente para caso precise, seja eu e eu. 



Hoje minha euforia se chama São Paulo.    

A-d-o-r-o aquele lugar.

Eu quero dar o fora



E quero
que
você
venha
comigo.


todo dia

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

E por falar em saudade.

...
O mundo assim parece tão pequeno
e eu continuo tendo visões
Depois que nos encontramos
eu esqueço todo tempo
que fiquei sem te ver

Fora tanto que eu me perco
fora tudo mais que eu penso
eu só penso em você
só penso em você
 ...


E assim fico até breve.

domingo, 5 de agosto de 2012

piscou, passou;

Novo livro de Jack - Gaga Feminismo.
E lá se foi o congresso que por dois anos esperei, trabalhei e me apresentei. Foram três dias de muita  intensidade em muitos sentidos. mas de fato esse não o congresso que pude render 100% intelectualmente.... eu não consegui assisitir uma mesa inteira, com a excessão a fala de Jack Halberstam. Essa eu não perderia POR NADA. O resto foi correria de produção. Consegui tb ver outras duas mesas grandes entre fotos e assessoria.  Mas sem dúvidas nenhum foi a minha oportunidade de fazer "a social". Mil novos contatos de possibilidades e visibilidade. 
Jack Halberstam










 Conheci Joao W Nery. Queridíssimo, de uma docilidade e experiência encantadora. Conversamos bem , na medida do possível. Bati um papo com Berenice Bento, Sfinner e Marina Reidel; Leonardo Tenório foi a minha melhor aproximação. Tanto que me fez produzir alguns textos, uns já escritos , outros por escrever e outros que nunca sairão da mente. 

 Que experiência!

Reencontrei pessoas que adoro, que pensam como eu, conversamos sobre as mesmas coisas e rimos das mesmas piadas. Foi lindo. 
Sem contar na satisfação de ajudar a produzir um evento elaborado pelo meu desorientador Leandro Colling , que é uma das pessoas mais admiráveis para mim , a quem devo minhas conquistas e  tudo que sei até então.
Joao W Nery e Eu.



Foram três dias de encontro, fora os antecedentes de preparação, e nos três dias eu  borbulhei o tempo todo e me entreguei, posso dizer: 100%. Foi emocionante. 
Deixo aqui o link com o texto de abertura de Leandro Colling ... lembrando que as melhores fotos ainda virão.

Joao W Nery e Leandro Colling

Baphão Queer.
Recebendo o autografo no livro de Joao W Nery









PS: é preciso registrar que não falta nada ali. NADA. 






segunda-feira, 23 de julho de 2012

O perigo de viajar.

É muito perigoso viajar, eu já constatei isso algumas vezes no decorrer de minhas idas e vindas, e não interessa o tempo. Acabo de voltar do Rio, onde passei um final de semana e volto com os mesmos sintomas de outras viagens, mais longas e profundas.
Pensando nisso.
Para mim sair de Salvador é perigoso demais. Eu sempre confirmo: Salvador é a cidade mais difícil de viver. Eu amo minha terra mas não sou bairrista. Salvador tem sérios problemas que podem se resumir da seguinte forma:

Salvador é  uma provincia em estrutura e desenvolvimento com problemas de uma grande metrópole.


Isso já diz muito.

Não vou scitar aqui os problemas de Salvador. Primeiro pq o que pode ser problema pra mim não será para vc, que tem carro. O que é problema para mim não será pra vc que pouco se importa de andar vidro fechado em seu ar condicinado dia após dia. E o que pe problema pra mim também não será pra vcoê que não tem grana nem pra depender do transporte "público".

Em fim, quero descrever aqui a sensação desagradável que sintode ver que tudo ta indo...tudo ta andando....e minha terra tá envolta dos mesmos problemas, dificuldades etc.E temos algumas coisas importante em nosso favor, que essa sim, faço questão de ressaltar: temos um clima maravilhoso, as águas de mares mais deliciosas do mundo e o povo mais pacífico e sorridente do mundo ( o que por vezes causa-me irritação).
Leblon.
Isso eu citei poucas das questões sociais que me aflingem e que obviamente vão impactar em minha subjetividade, meus afetos e efeitos.

Lá, eu me lembrei como minha vida onde eu moro não tem absolutamente nada a ver com o que eu quero pra mim. Lembrei, que preciso correr, que preciso estar perto de mim e que o Rio de Janeiro é Riso. Não tem como não sorrir naquele lugar. E olha que nem fiz as coisas que gosto de verdade. Fui muito mais mãe, do que Serena.


Agora, já me programo pra minha OUTRA ida. São Paulo. Setembro, passagem comprada e vamo-que-vamo. Quem sabe assim eu me mantenho de pé mais tempo onde estou ou faço logo o que preciso fazer.

Seja o que for, eu sei o risco que corro quando faço essas viagens , talvez seja por isso que lá sempre me entrego tanto.

Agora eu preciso colocar minhas inquietações num pote por um tempo até dia 15 de setembro.

Ficarei pela Região Sudeste pq a região Sul é onde o risco aumenta.


Risos de Janeiro.










quarta-feira, 4 de julho de 2012

de ciclo em ciclo - catando as pedrinhas

Lá vou eu para mais uma empreitada. Sei lá se fiz a escolha certa. E faço questão de deixar isso claro aqui pra daqui a uns dias ter uma perspectiva disso relendo isso aqui.

Amanhã recomeço a pesquisa no Centro de Estudos, com observação participante e intervenção no corpo docente. De volta ao artigo que me lançou no mundo acadêmico, o texto que mais tenho carinho. Essa área ainda é um desafio para mim pq ao mesmo tempo sei do potencial de pesquisa que tenho em mãos, por outro estou um tanto saturada do campo. A novidade vai ser a nova roupagem de espirito e a minha maturidade para lidar com minhas temáticas, meu olhar mais sensivel e também mais viciado em peneirar questões de gênero e sexualidade. A professora da vez, é uma pessoa massa também e que sei que terei uma ótima abertura para futuramente intervir de alguma forma nas práticas. 

Estou empolgada sim, a questão da grana é um fator providencial que está pesando demais em ter aceito a proposta. E veio numa hora complicada em que precisava estar focada mais e mais na ufba , mas essa greve me tirou o rumo e agora não vejo melhor opção do que essa: voltar ao campo, ganhando dinheiro e espaço de atuação em minha área. 

Agora é remar. E pegar bastante folego pq na hora que a greve acabar o bicho vai pegar. Acreditar que as coisas em casa com as criasnças estarão bem e fazer malabarismo para conseguir dar conta dos congressos, das produções, da pesquisa de campo, do projeto de pesquisa do mestrado, outras demandas familiares e em minha área de atuação,  e da formatura. É coisa. E vou querer arrancar meus cabelos algumas vezes, sei disso. Só preciso focar que o caos será por alguns meses só.


Que paizinho Oxalá me mantenha equilibrada e conseguindo dar conta de tudo. 

Setembro tem São Paulo, mais um trabalho selecionado, lá vou eu e agora em ótima compania.

terça-feira, 19 de junho de 2012

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Minha crise instaurada

O I Simpósio Nacional  de Respeito e Visibilidade Trans não sai da minha cabeça;

Até então estava tudo organizado no meu campo das idéias. Li muito sobre a despatologização, mas caí na cilada de ler academicamente. Acho que depois de dois anos lendo sobre as vivencias tans ( trangenerxs, transexuais, travestis) finalmente me inquieto profundamente com um debate interno. Não tenho dúvidas sobre como a militancia não pode estar dissociada a academia, e vice-versa. Pensar de forma dicotomica nesses dois movimentos é  impordutivo. Mas eu caio agora no seguinte debate: Com relação as vivências trans - compreendendo que essa é uma vivência que quebra com normas de gênero e sexualidade e por isso sofre sansões socioeconomicas - não seria prepotente de minha parte debater sobre a despatologização dessas vivências de forma a desejar que seja uma demanda dessas pessoas?

 ---- Na Argentina esse é um debate vencido e a Lei de Identidade de Gênero desvinculou as vivencias trans a uma patologia, as pessoas trans lutaram por isso e hj tem sua identidade de gênero garantida por lei e podem usar seus nomes sociais e solicitar cirurgia de transexualização-----

Mas voltemos ao debate. As vivências trans da Argentina tem pontos de igualdade em experiências e demandas com as vivências dxs trans brasileirxs , porém não há como negar as singularidades. O significado de ser trans no Brasil nunca será o mesmo de ser trans na Argentina, na Itália, na India, no Haiti. Há peculiaridades. 

A minha maior surpresa nesse encontro Trans foi reconhecer a despatolizição como uma não-prioridade nas lutas políticas dxs pessoas trans. Eu já sabia que haviam fatores dificultadores, politicos e culturais, nesse debate quando institucionalizado. A desautorização do discurso médico me parece um terreno temido e que outras instituições e o Estado não tem tido muita vontade de mexer nisso.Isso não era novidade e continuou não sendo na fala de Katia Souto do Departamento de Apoio à Gestão Estratégica e Participativa que falou muito bem como a instituição desisteressada que é nos direitos integrais, o que ela fez foi jogar todo o debate da despatologização para escanteio, e em uma resposta a carta aberta de Berenice Bento -  criticando o seminário acontecido na semana anterior -  reforçou a ideia problemática que ali era um espaço de politica pública e não de referencias academicas. Mostrando um irritante ar "apaziguador" , para não dizer acomodado, justificando a exclusão do debate da despatologização para manter a cordialidade e os esforços para garantir outras demandas e aqui eu tenho que citar Malcom X

“Como você pode agradecer a alguém por lhe haver dado o que já é seu? Como, então, você pode lhe agradecer por haver dado somente parte do que já é seu? Você sequer progrediu, se o que lhe foi dado era algo que você já deveria ter tido. Isto não é progresso.”

Fiquei frustrada com as seguintes questões:

 prevenção a AIDS ( será que ainda irei num evento trans e travesti que desvinculará a AIDS das vivencias trans?) A única demanda médica que uma pessoa trans é a prevenção de DTS? Não estamos reproduzindo a ideia de que pessoas cisgeneras e heterossexuais estão livres dessas demandas e reforçando o lugar de abjeto das pessoas trans?


Fiquei arrasada que Berenice Bento não foi para o evento desconstruir a fala de Katia Souto. 


A lógica predominante na hora de decidir sobre a camapnha de Visibilidade Trans ainda foi HIPERIDENTITÁRIA e o problema disso é  que gera uma exlusão de prioridade de demanda inclusive dos homens trans. E daí me lembro também da justificativa que dão para não se pensar em politicas públicas para pessoas intesexuais: Não há representatividade. Não há uma organização desse moviemtno. Sem se quer problematizar o porque não há essa articulação; Como pensar num movimento de pessoas já mutiladas e com sua sexulidade aprisionada ao nascer? Quão doloroso é dar a cara a tapa nessa sociedade? Que porra de movimento SOCIAl é esse?  - me exauto. 


Voltando a despatologização, me surpreendi com a forma que despatologização foi tratada pelxs pessoas trasn que ali estavam ( poquissimo número). Fiquei me perguntando.... nessa realidade, nesse espaço territorial, seria então a despatolização uma demanda da produção acadêmica? Me pareceu tão longe de seus desejos... tão confuso.  Eu compreendo quando se pede a patologização para a garantia da cirurgia trasnsexualizadora, uma estratégia muito válida, mas me pergunto até que ponto essa estrategia contempla a todxs demandas de todas as vivencias trans? 


Ao mesmo tempo essas pessoas não se reconhecem como transtornadas ou doentes mentais , como sugere o CID. Me trouxeram dados novos sobre o processo de transgenitalização.... demanda que eu desconhecia. E isso foi sensacional. Entar entre elxs é sempre desconstrutivos e fantástico. 

Precisarei de mais alguns encontros para sanar minhas perguntas ou sucitar mais algumas, rs.





Microondas

Image Detail
Tem coisas lá em casa que eu nem ligo mais, pra não ter que desligar.
Pessoas da minha vida parecem sumir, mas insistem em voltar.
Amores requentados, feito pão dormido, vêm do microondas.
E o bom e velho gosto de romance antigo é sempre bom de recordar.
Flores que você traz pra me dar...
Eu não preciso disso pra lembrar.
Lembro cada beijo que eu te dei!
Eu lembro cada beijo que eu te dei!
Só pra lembrar, só pra lembrar, só pra lembrar - mais um!
Eu nunca esperei me encontrar, com você nesse lugar
O que você tem feito? Como vão seus pais? Vamos sair para jantar.
O quê que eu tô dizendo? Eu não acredito! Olha o microondas!
Desse jeito, requentando, eu sei que não existe nada pra descongelar.
Flores que você traz pra me dar...
Eu não preciso disso pra lembrar.
Lembro cada beijo que eu te dei!
Eu lembro cada beijo que eu te dei!
Só pra lembrar, só pra lembrar, só pra lembrar - mais um!



Bidê ou Balde

Nossos alvos.

O perigo
de sabermos
quem são 
nossxs leitorxs 
é 
passar 
a escrever 
só pra elxs.



[pobre coração, quando o teu estava comigo era tão bom]

                                                                        renato russo

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terça-feira, 5 de junho de 2012

Porque eu não gosto dos Estudos Queer


Tirando a venda dos olhos, a luz incomoda, desconforta. Uma irritabilidade inevitável naquela luz invadindo meu corpo e me tomando... tomando o que eu tenho de mais seguro e estável: minhas verdades e certezas.
Os estudos queer tomaram de mim minha identidade. Arrastaram pela ladeira abaixo, desconfiguraram, decodificaram minha identidade fixa. Eu que adorava dizer: sou assim e vou morrer assim. Daí vem esses estudos queer e jogam na minha cara que não sou tão assim, assim, e falam de trânsito, de fluidez.
Foi com estudos queer que descobri que minha tão sagrada heterossexualidade não é natural. Isso mesmo, eu não nasci hétero.  Aliás, esse conceito de heterossexualidade foi construído e reproduzido e ainda me jogam na cara que é reproduzido por interesses de poder. A minha heterossexualidade então é só mais uma possível sexualidade e que, mais profundamente falando, sequer existe uma só heterossexualidade, existem várias formas de vivenciá-la.
Os estudos queers também me proporcionaram um grande desgosto em saber que o mundo não é divido em azul e rosa. Era tão mais fácil: menino azul e menina rosa. Lógico. Mas não, meninos não nascem gostando do azul, dos carrinhos e das bolas, nem as meninas das panelinhas e dos bebês que trocam as fraldinhas. Eu ensinei isso para meus filhos. Eu, o desenho animado, o coleguinha, a escola, e todos os presentinhos bem intencionados construíram o gênero de meus filhos... e eles nem eram nascidos quando isso aconteceu. Lá na ultrassonografia, quando o médico disse: é menina! E minha casa virou um grande mundo rosa e todos os amiguinhos dela seriam possíveis namoradinhos.
Foi muito frustrante saber que, por trás de meu comportamento moderninho, tinha um bocado de discurso autoritário e ao mesmo tempo obediente às normas, que me achava autorizada a não aceitar que dois homens se beijassem na frente de meus filhos. Os gays podiam existir, eu deixava,  já não era o bastante?  Não, os teóricos queer me comprovam que na verdade eu vivo da forma que eu nunca concebi: desejando a norma. Mas o pior de tudo foi depois me mostrarem que essa norma hegemônica incide sobre os mais subversivos dos seres. Comigo não seria diferente. E eu, politicamente de esquerda, sempre antenadíssima nas mazelas sociais, sempre... estava confortavelmente reproduzindo.
Mas o mais destruidor pra mim foi parar de rir das piadas, não achar mais graça do que me é abjeto, aquele riso perverso, gostoso de dar à custa da abjeção alheia, que tanto me fortalecia e que garantia minha supremacia e agora não tem mais força. Meus amigos de infância eram tão doces, bonzinhos, divertidos, compartilhávamos de quase tudo. E hoje nada mais. Minhas amigas de sempre, de guerra, de risadas, de aprontes ocupam um interminável espaço de um dia no ano de encontro, e nesse dia os comentários machistas, sexistas, homofóbicos, racistas, preconceituosos, simplesmente não me deixam gostar de estar ali.
Meus ouvidos estão sensíveis a tudo: música, poesia, teatro, novela, filme, nada me escapa uma análise crítica do discurso. A minha banda preferida virou “A melhor banda heteromonogâmica do Brasil” e tem passado por duras análises.
Minha índole pacifica e tolerante, que me fazia ser de tão fácil convivência, os estudos queer detonaram e fizeram de minha docilidade um arsenal desconstrutivo contra toda e qualquer injúria e tentativa de aprisionamento de identidades.
Eu estou impossível. Como posso gostar dos estudos queer? O que fazer agora diante de tanto mal estar? Como volto para minha zona de conforto? Qual escola dará conta de tudo que quero que meus filhos não sejam? Como usufruirei tranquilamente de meus privilégios por aparentemente estar dentro das normas de gênero e sexualidade? Quem dará conta da minha inquietude? Hein, Estudos Queer?