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quinta-feira, 23 de outubro de 2014

essa é pra vc

quando soube gelei. E com gelo não se brinca. Vc sempre me congela. E eu prefiro fogo. Sou filha de ferreiro.
Então... Um filho.

De todas as identidades essa é a que mais me perturba... não pelo crescimento da distancia que isso significa no meu mundo de fantasias, mas pelo que eu sei que isso significa no mundo de verdade... ta bom, a verdade não existe, é liquida como diria aquele moço.
Talvez eu consiga imaginar um pouquinho suas dificuldades, e como vai lembrar de como vc era. Agora mais que nunca vc vai sentir saudade de vc e vai buscar desesperadamente por um fio seu. Não sei se gostaria de estar mais perto, talvez eu não te tolere mais, talvez vc tenha se tornado algo que seja melhor ficar guardado nas fotos e videos cassetes, mofando. Muito provavelmente em alguns dez minutos de vc , a fantasia ia escorrer pelo ralo e eu ia ficar mais vazia ainda de vc...

Em fim,

de longe, estou aqui a te ver passar escorrendo em suor com som no ouvido, britney spears??  risos nostálgicos e sarcásticos. Seu filho saberá?

- eu que achei que sabia tudo sobre minha mãe, depois que virei mãe não imagino minha filha sabendo das nossas noites de jogatinas. Descobri que os filhos não sabem nada dos pais.

Até que comecemos a nos encontrar nos lugares infantis estarei por aqui, a delirar sua boa paternidade.

Supere-se, vc é bom nisso,

Boa paternidade.





Maternidade no jogo perverso da vida

A maternidade muitas vezes é cruel, perversa e um potente instrumento de perpetuação do sexismo e violência contra a mulher. Isso é um fato. Não vou discutir aqui se é ou não. É. É só traçar o itinerário e os desdobramentos dele.
Na verdade, os implicamentos desse discurso já se dão desde o debate sobre o direito ao aborto. Em uma cultura que sequer consegue admitir a descriminalização do aborto já dá pra imaginar o lugar que a mulher tem em matéria de direito ao próprio corpo.
Mulheres cis (que não são trans*) desde crianças são disciplinadas com a pedagogia da maternidade. Lembro-me da preocupação de uma amiga:
- Carla, deixe sua filha participar desse momento do irmão caçula! Deixe ela dar a mamadeira, estimule que ela lhe ajude no banho, trocar fraldas….Você e ela só ganham com isso, é assim que ela vai aprender a ser mãe.
- QUEM DISSE QUE ELA VAI QUERER SER MÃE?
Bom, pelo menos numa coisa concordamos, maternidade não é algo instintivo, é algo que se aprende a desejar a ser, ou não. Debaixo de muita violência, insistência e moralidade.
Assim, de forma geral, fica muito difícil escapar da rota predeterminada. Ainda criança, minha filha ganhou um jogo de tabuleiro, que se chama “jogo da vida”, muito simbólico. O jogo se dá no girar da roleta. A depender do número, o carrinho vai seguindo cartesianamente sua vida…. Nesse jogo você pode até ser um ‘sem profissão’, viverá com um baixo salário, mas o jogo continua, afinal, nessa estrutura que vivemos pra ‘ter rico tem que ter pobre’, já me disse um conhecido.
Porém, nessa trilha existem duas paradas obrigatórias: o casamento e os nascimentos dos filhos. Não adianta fugir. É regra. Não é possível não casar. Não é possível não ter filho.  Casar e ter filho são a base para o restante do jogo. Se você é homem usa bonequinho azul, se você é mulher usa bonequinho rosa. Lógico! O jogo também determina se seu filho será menino ou menina e aí, de acordo com isso, você encaixa o bonequinho rosa e azul. A partir daí, se conquista e se gasta muito dinheiro. E adivinha? Vence o jogo quem é ‘melhor sucedido’ e chega ao ponto de chegada rico.
Em uma intervenção numa partida entre minha filha e amigos na minha casa, subverti e casei com outra menina. Isso foi suficiente para o alvoroço ficar armado. Foi tenso perceber o quão parecia sem sentido, para aquelas crianças, aquilo seguir adiante. As crianças que disputavam a partida tinham por volta de oito anos de idade, e todas concordaram que se eu casasse com uma menina o jogo não poderia continuar porque eu não poderia ter um filho. Permaneci desobediente e casada com minha bonequinha rosa e o desconforto foi notório.
O jogo não é uma inocente brincadeira. Pelo contrário, é mais um aparelho pedagógico de domesticação da sexualidade, das categorias de gênero enquanto fixas e de perpetuação de valores e normas heterossexuais compulsórias que geram violência e exclusão. Mas me parece que a educação enquanto instituição está bem pouco preocupada com isso, para não dizer que ela silencia e corrobora com essas estratégias. O não posicionamento é posicionar-se.
Seguindo esse roteiro, na vida para além do tabuleiro…
Estudamos e trabalhamos para ter uma família, foi por isso que muita gente me olhava na adolescência e dizia que se eu não ‘desse um jeito na minha vida’ acabaria sem marido e sem filhos. Claro que sim! Faz sentido, esse é jogo da vida! Essa é a família que será mantida a QUALQUER CUSTO, sabemos bem quem sai violentada nisso. Sabe-se quem precisa entender que ser mulher é ceder, porque os homens são imaturos e nós mulheres sagradas precisamos nos manter santificadas e sucumbir pelo bem da família, já que essa é a estrutura familiar tida como fundante para a formação de um sujeito emocionalmente saudável. Quem carrega isso é a mulher.
Os desdobramentos disso eu vejo todos os dias. Enquanto mãe eu sinto na pele, nos olhares inquisidores, na deslegitimação de minhas escolhas contra-hegemônicas, no tomar as rédeas da minha vida. Muitas vezes sou acusada de ser uma mãe relapsa. Outras tantas de doutrinar meus filhos contra a pedagogia opressora. O que eu sei é que dando ‘tudo certo’ ou não, o ‘erro’ dx filhxs dos filhos será mérito meu.
Enquanto professora, sinto no impacto das relações entre meninos e meninas na sala de aula, entre o esforço para se manter as coisas nos seus devidos lugares, enquanto ainda se é possível. Pois a infância ainda é o lugar de controle e autorização para o exercício de normas perversas.
Vejo muitas mães se preocuparem em manter relações de amizade de menina com menina, porque ‘assim fica mais fácil na adolescência’. Aí a menina experimenta o corpo da coleguinha e é catequisada pela mesma mãe a obedecer a heteronorma. É preciso reproduzir, é preciso ser mãe, é preciso dar netos. Isso é enlouquecedor! Mas… Essa mãe certamente já experimentou carregar o fardo de ter que acertar o destino da filha.
O resultado dessa infância saudável é responsabilidade da mãe. Ainda que muitos (maus) comportamentos infantis sejam justificados pela ausência paterna, a culpa muitas vezes recairá sobre a mãe, que depois de não ter sido mulher suficiente para ‘segurar esse homem’, quase sempre não terá sido macho suficiente para suprir a falta dele na vida dessa criança.
A culpa é uma forte aliada nesse processo. O mito da maternidade enquanto sagrada se encarrega de enlouquecer corações maternos e desestabilizar a autoestima de qualquer mulher. A culpa pela ausência, culpa pelo excesso de presença, culpa pela falta de afetividade, culpa pelo excesso, culpa, culpa, culpa, o equilíbrio parece ser algo inatingível para nós.
Até aqui eu descrevo situações corriqueiras de mulheres cis, mas podemos sim fazer um recorte de classe e etnia, já que sabemos que as demandas de mulheres negras e de classes tidas como menos favorecidas, no que diz respeito à violência do discurso de maternidade, serão outras, muito mais específicas. Muitas crianças dessas mães não terão acesso ao jogo da vida, mas a viverão em seus dias e noites através de violência e até ludicidade e resistência.
Mas as opressões da maternidade não só respigam nessas outras mulheres. Sabemos que, por exemplo, esse é um discurso muito acionado, inclusive por mulheres cis, para deslegitimar o gênero de mulheres trans. Se não tem útero, não pode reproduzir, se não pode reproduzir, não pode ser mulher. Ora, ora… logo mulheres ativistas pelo direito ao uso do corpo, logo mulheres que precisam ir pra rua para dizer que não terão filhos porque simplesmente não querem ter se articulam no intuito de fazer esforços para utilizar justamente de argumentos que lhe desqualificam para se achar no direito de se apropriar da categoria mulher e determinar que as mulheres trans são ou não “de verdade”. No mínimo incoerente.
Os homens trans, então, têm o direito de reprodução deslegitimado completamente pelo discurso hegemônico da maternidade. Homem engravidar, numa sociedade em que a maternidade é mais um instrumento de garantia de poder masculino, é um afronta. É como se esses homens estivessem negando todo poder que “naturalmente” lhes foi dado.
Os desdobramentos não param por aqui, podemos falar de como a paternidade, não por acaso, se torna uma vivência muitas vezes silenciada, seja em suas conquistas e direitos como em seus privilégios ‘naturais’. Sobre isso caberia escrever outro texto.
O que eu quero com esse texto não é me colocar contra a maternidade, isso seria insano. O meu esforço é, mais uma vez, me colocar contra a imposição de um modo de vida. É desconstruir a tese de que só há felicidade na maternidade. Que uma mulher só será completa se for mãe. Isso é mentira. Muitas pessoas, por escolha ou falta de escolha, não são mães e resignificam isso, ocupam suas vidas com outras prioridades, trabalham de outras formas suas afetividades e constroem suas famílias em moldes outros. O que eu trago aqui é a forma como o machismo se apropria da maternidade para promover violência, exclusão em corpos e subjetividades que transitam por desejos outros que não o de procriar.
O importante é salientar mais uma forma de estruturação de gênero, que é cruel, e denunciar que, no jogo da vida, as paradas podem parecer obrigatórias, mas há várias linhas de fuga. Porém, o risco é constante e esse texto também é sobre João Antonio Donati, assassinado cruelmente, e é também sobre a morte diária de travestis e pessoas trans* que são assassinadas por não seguir uma das normativas básicas do jogo da vida.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Palavras que não vi

Nunca tinha reparado em como essa letra é linda....  

As Palavras

Vanessa da Mata

As palavras saem quase sem querer
Rezam por nós dois
Tome conta do que vai dizer
Elas estão dentro dos meus olhos
Da minha boca, dos meus ombros
Se quiser ouvir
É fácil perceber
Não me acerte
Não me cerque
Me dê absolvição
Faça luz onde há involução
Escolha os versos para ser meu bem
E não ser meu mal
Reabilite o meu coração
Tentei
Rasguei sua alma e pus no fogo
Não assoprei, não relutei
Os buracos que eu cavei
Não quis rever
Mas o amargo delas resvalou em mim
Não deu direito de viver em paz
Estou aqui para te pedir perdão
Não me acerte
Não me cerque
Me dê absolvição
Faça luz onde há involução
Escolha os versos para ser meu bem
E não ser meu mal
Reabilite o meu coração
As palavras fogem
Se você deixar
O impacto é grande demais
Cidades inteiras nascem a partir daí
Violentam, enlouquecem ou me fazem dormir
Adoecem, curam ou me dão limites
Vá com carinho no que vai dizer
Não me acerte
Não me cerque
Me dê absolvição
Faça luz onde há involução
Escolha os versos para ser meu bem
E não ser meu mal
Reabilite o meu coração
Composição: Vanessa da Mata

domingo, 7 de setembro de 2014

Alucinação

Eu não estou interessado
Em nenhuma teoria
Em nenhuma fantasia
Nem no algo mais
Nem em tinta pro meu rosto
Ou oba oba, ou melodia
Para acompanhar bocejos
Sonhos matinais
Eu não estou interessado
Em nenhuma teoria
Nem nessas coisas do oriente
Romances astrais
A minha alucinação
É suportar o dia-a-dia
E meu delírio
É a experiência
Com coisas reais
Um preto, um pobre
Uma estudante
Uma mulher sozinha
Blue jeans e motocicletas
Pessoas cinzas normais
Garotas dentro da noite
Revólver: cheira cachorro
Os humilhados do parque
Com os seus jornais
Carneiros, mesa, trabalho
Meu corpo que cai do oitavo andar
E a solidão das pessoas
Dessas capitais
A violência da noite
O movimento do tráfego
Um rapaz delicado e alegre
Que canta e requebra
É demais!
Cravos, espinhas no rosto
Rock, Hot Dog
"Play it cool, Baby"
Doze Jovens Coloridos
Dois Policiais
Cumprindo o seu duro dever
E defendendo o seu amor
E nossa vida
Cumprindo o seu duro dever
E defendendo o seu amor
E nossa vida
Mas eu não estou interessado
Em nenhuma teoria
Em nenhuma fantasia
Nem no algo mais
Longe o profeta do terror
Que a laranja mecânica anuncia
Amar e mudar as coisas
Me interessa mais
Amar e mudar as coisas
Amar e mudar as coisas
Me interessa mais

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Pra mim

Ela é a moça que sonha
O tempo não lhe escorregar
Seus segredos
Não vem a tona
Porque hão de se preservar
Como pode assim um coração
A sete chaves se trancar
Pode esconder a emoção
Com tanta ternura no olhar
É só lembrar pra ver
É, parece que ela tem na ponta dos dedos
O caminho que trilhar
Parece sofrer com a espera de tudo que sonhar
Mas é seu jeito de levar
Qualquer coisa que lhe destoa
É pouca para lhe faltar
Sabe a hora de rir à toa
E também a hora de chorar
Ela pode ter um novo amor
Para em mil pedaços revirar
Peca na incerteza da paixão
Mas num passo sabe contornar
É só lembrar pra ver
É, parece que ela sente as cores do vento
O destino que traçar
Parece temer a força que vem de dentro
Encantar, pra nunca mais deixar
Pra sempre me levar - maglore

domingo, 31 de agosto de 2014

Soul

"Porque foi calma a tempestade
E tua lembrança, a estrela a me guiar" Renato Russo


Esse post é sobre a saudade. E sobre canalizar o amor pra dois seres lindos que desde que vc partiu de mim ocuparam ganharam todo nosso amor, nossa amizade e cumplicidade.... nossos planos irrealizáveis e risadas sem sentido.

E tem horas que olho para minhas meninas e vejo vc me olhando. E ai ....me lembro de Renato me dizendo: 

"Meu orgulho me deixou cansado
Meu egoísmo me deixou cansado
Minha vaidade me deixou cansado
Não falo pelos outros
Só falo por mim
Ninguém vai me dizer o que sentir"

Lhes apresento a quem recebe nós, Mitta e Izza:








domingo, 24 de agosto de 2014

oxe, já?

incrível esse segundo semestre meu, sempre cheio de coisas. Se eu for fazer uma planilha gráfica de vida pra saber a fase do ano que minha vida começa a se movimentar num ritmo quase que descontrolado , eu tenho certeza que o gráfico chega ao pico entre os meses de agosto a fevereiro...depois a queda disso chega ser uma queda ao precipício. loucura. Isso aparece claramente em minha movimentação aérea. Fiquei tão quietinha esse ano. Viajei pro vale do capão, e depois uma intensa viagem sozinha...aquela que eu preciso fazer anualmente. Achei que permaneceria assim. mas minha inquietação aquariana sai de mim... meus erês inconsequentes começam a querer aprontar e a senhora dos ventos me leva junto com ela. Êparrey SalOyá!

e lá vou eu, para terras sulistas de novo. Esse ano nordeste saiu do foco do meu destino. Setembro floripa, outubro Sp, novembro Sp de novo.... BABADO!

O que sai disso acho que só sensações, de distancias encurtadas, saudades inquietas e desejos borbulhando... no mais é tentar voltar sã e salva. Pelo menos agora eu tenho casa pra voltar. Que o novembro seja doce.

domingo, 17 de agosto de 2014

16 de agosto.

6 da manhã atordoada em Natal entrei no ônibus. sem dormir, sem sem sem.... completamente sem.

e ai debaixo de chuva, cheguei , exausta e inexistente , dirigi por vários quilometro sem saber que ele já estava no hospital indo embora, pra sempre. Um ano. Já.

domingo, 20 de julho de 2014

envelhecer

sobre a noção de tempo. Suspeito que envelhecer seja o processo de perceber o tempo voar.
Dez anos, viram só uma década, e outro dia uma década era tudo que eu tinha.

voa....voa...e lá vou eu.

quinta-feira, 17 de julho de 2014

ahhhh John!

Saia do meu caminho, eu prefiro andar sozinho
Deixem que eu decido a minha vida.
Não preciso que me digam, de que lado nasce o sol
Porque bate lá o meu coração.
Sonho e escrevo em letras grandes de novo
pelos muros do país.
João, o tempo, andou mexendo com a gente sim.
John, eu não esqueço, a felicidade é uma arma quente
Queeeeeente, queeeeeente....
Saia do meu caminho, eu prefiro andar sozinho
Deixem que eu decido a minha vida.
Não preciso que me digam, de que lado nasce o sol
Porque bate lá o meu coração.
Sob a luz do teu cigarro na cama,
Teu rosto rouge, teu batom me diz
João, o tempo andou mexendo com a gente sim
John, eu nao esqueço(oh no, oh no), a felicidade é uma arma quente,
Queeeeeente, queeeeente....

sábado, 12 de julho de 2014

mas tudo bem...tudo bem...tudo beeem....

Essas imagens estão sendo divulgadas no  facebook  e eu não sei a autoria, publiquei aqui , porque tudo de Renato é parte de mim e de alguma forma, fala de mim. 









sexta-feira, 11 de julho de 2014

Esse 2014 tem me ganhado em instabilidade. Puts....é como se a qualquer momento tudo pudesse mudar. Fatos drasticos tem acontecido pra mim, comigo  e com pessoas muito proximas... parece mesmo ser o ano da reciclagem.São ventos, ou melhor, as ventanias.
Mas a desordem acaba por me ordenar e as sextas feiras tem sido cada vez mais sagradas. A inquietude externa me faz silenciar a alma e aí eu sinto um aquietar-me confortavel.
E no meio disso tudo  lá vem nenem novo!!!
Não é meu, mas é como se fosse.

domingo, 29 de junho de 2014

o axé do meu axé

eu cada dia mais tenho certeza de que meu lugar é ali. O suor, o sacrificio, o enfrentar dos medos, das dificuldades, o efeito poderoso em mim.... A sensação de ter uma família para além da carne. Ontem mesmo tive mais




irmandade

Ogunhê patacori. Quando ele vem, eu só me arrepio e fico do lado dele,
 boba, apaixonada pelo meu pai,





uma prova de como meu orixá me usa para o bem, como meus orixás me guiam pro melhor. Só agradeço.

domingo, 1 de junho de 2014

Piscar o olho (Tiê)

Foi só piscar o olho
E eu me apaixonei enfim
No meio da fumaça
Ele também gostou de mim
O tempo foi passando
E o nosso amor saiu do chão
E eu fiquei tão grande
E mastiguei meu coração
Dessa vez não tive medo
Mesmo assim não disse "sim"
Percebi o percevejo
E deixei cravado em mim
Só eu sei o que é melhor pra mim
Ás vezes é mais saudável chegar ao "sim"
Chegar ao "sim"
Só eu sei o que é melhor pra mim
Ás vezes é mais saudável chegar ao "sim"
Chegar ao "sim"
No meio da euforia
Aquele alguém me protegia
Mas não foi por acaso
Que o encanto se quebrou
O tempo foi gastando
O que não era pra durar
Como se eu soubesse
Não era amor pra todo dia
Dessa vez eu tive medo
Mesmo assim eu disse "sim"
Percebi o percevejo
E deixei cravado em mim
Só eu sei que foi melhor assim
Às vezes é mais saudável chegar ao "fim"
Chegar ao "fim"
Só eu sei que foi melhor assim
Ás vezes é mais saudável chegar ao fim
Chegar ao fim 
Só eu sei que foi melhor assim
Ás vezes é mais saudável chegar ao fim

sexta-feira, 16 de maio de 2014

eu fui

fui e foi lindo, como sempre é. Só que dessa vez sem a nuvens de fumaça, sem o cheiro, sem o vinho... e eu até comprei, mas só pq sou ritualística. Mas não consegui beber nem um copo inteiro...  Isso não deixou minha visão turva... deixou tudo mais objetivo e volto pra casa tranquila como nunca antes...e até desejando voltar. Inédito.

Fui tremendo da cabeça aos pés, e pedi muito a meus orixás que definissem logo minha ida, que tipo de viagem eu teria, e sabia que eu não queria muita bagunça em casa. E como sempre fui atendida. A primeira coisa que me preparam? Um encontro de portas fechadas. Lá no lugar de sempre, no acaso de nunca, sob cheiro de gasolina, e com o vinho na prateleira.... E ai num breve espaço de um breve abraço nossos olhos secaram e a fresta do vento passou suavizando as chamas..Minha já esquecida e desprezada racionalidade se fez presente.....e foi difícil, e foi intenso, e foi a hora de olhar e dizer: é isso, tchau! E eu soube fazer. E num outro breve piscar de faróis eu puder ouvir mentiras sinceras e um ultimo tchau , num encontro inusitado pra meus orixás me mostrarem que era preciso seguir que meus presentes eram a calma e a satisfação do cheiro daquele lugar.. 'engraçado' que tava indo justamente num batuqe... rs

E la se foi, o resto da viagem foram expectativas zeradas, pelo menos as falsas... foi andar de noite sentindo frio, foi descer a ladeira querendo que o tempo pare, foi passar e olhar, entrar e sair das casas, enrolar fumos, e aprender a lidar com o sossego estranho de uma viagem montanha russa.... o coração ficou mais agraciado indo pra Rio Grande, mais seis horas de viagem... um café gaudério na estrada, uma gente legal demais, e o encontro com os meus.

No meio disso tudo, email anonimato...e  eu sem saber lidar , sem querer saber. Sem deixar o morto ressuscitar dentro de mim. Não deixei. Descobri que guardo magoa. E preciso me deixar em paz.

Dia 13 passou. Ufa. O dia que na verdade ninguém libertou ninguém; Uma fraude.

Abeh rendeu, parcerias e reencontros, abraços apertados, e afetos por todos os lados... lindxs, todxs!

De volta, sorri e chorei o acontecido e o não, os enterros da viagem, o retorno ao lugar que se é e o dengo das minhas gatas e as demandas das minhas crianças. Com o bônus de depois de 6 meses ausente de salas de aula, com uma meia alta medica volto pra me esquecer do mundo me perdendo no braço das minhas crianças, voltei, viva, e com a garganta desacostumada, cheia de calos e precisando de tempo pra se adaptar. Vamo que vamo!

A Lua nem sempre é nova, mas é lua!

Saudades: lola, moisés, dudinha, cleo, joe, jean, leo, erico, monte, noite, ceu, musica, calçadão, café, massa folhada, xis, risadas, cachorros, cheiros, frio, frio, frio, sotaque, frestas e tudo mais que chega a mim.

Entendi a mensagem... OLHOS CERTOS. Mas prefiro o 18 de julho.


O acalanto mais belo que recebi, eu sei ler:

Tento te encontrar
Tanto pra dizer
Meu amor, tudo bem
Sorte de nós dois
Quero te fazer feliz
Meu amor, sempre quis
Seus olhos certos, mas não sei o que dizer
Eu não vou, mas o tempo vem
Tá tudo certo, mas não sei o que dizer
Eu não vou, mas o tempo vem aqui
Tento te encontrar
Tanto pra dizer
Meu amor, tudo bem
Mesmo sem te ver
Não chegou ao fim
Seu amor, tudo em mim
Se não for mais do que tento ser
Se não for mais
Se não for mais do que tento ser
Se não for
Seus olhos certos mas não sei o que dizer
Eu não vou mas o tempo vem
Tá tudo certo mais não sei o que dizer
Eu não vou mas o tempo vem aqui