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quarta-feira, 18 de março de 2015

Pequeno mapa do tempo


Eu tenho medo e medo está por fora
O medo anda por dentro do teu coração
Eu tenho medo de que chegue a hora
Em que eu precise entrar no avião
Eu tenho medo de abrir a porta
Que dá pro sertão da minha solidão
Apertar o botão: cidade morta
Placa torta indicando a contramão
Faca de ponta e meu punhal que corta
E o fantasma escondido no porão
Medo, medo. medo, medo, medo, medo
Eu tenho medo que Belo Horizonte
Eu tenho medo que Minas Gerais
Eu tenho medo que Natal, Vitória
Eu tenho medo Goiânia, Goiás
Eu tenho medo Salvador, Bahia
Eu tenho medo Belém, Belém do Pará
Eu tenho medo pai, filho, Espírito Santo, São Paulo
Eu tenho medo eu tenho C eu digo A
Eu tenho medo um Rio, um Porto Alegre, um Recife
Eu tenho medo Paraíba, medo Paranapá
Eu tenho medo Estrela do Norte, paixão, morte é certeza
Medo Fortaleza, medo Ceará
Medo, medo. medo, medo, medo, medo
Eu tenho medo e já aconteceu
Eu tenho medo e inda está por vir
Morre o meu medo e isto não é segredo
Eu mando buscar outro lá no Piauí
Medo, o meu boi morreu, o que será de mim?
Manda buscar outro, maninha, no Piauí

Belchior

tempo, tempo, tempo



"Compositor de destinos
Tambor de todos os ritmos
Tempo, tempo, tempo, tempo
Entro num acordo contigo
Tempo, tempo, tempo, tempo

Por seres tão inventivo
E pareceres contínuo
Tempo, tempo, tempo, tempo
És um dos deuses mais lindos
Tempo, tempo, tempo, tempo"

É tão bom ter a quem recorrer, é tao bom entrar nessa estrada e seguir em frente , até passar aquele posto de gasolina e entrar naquela rua. Minha alma já começa se aquietar, tudo que não importa vai embora, fica só o que eles deixam. Viro aquela esquina, e tá lá minha vaga, e eu desço quase louca, se eu virasse no santo tenho certeza que não conseguiria entrar no terreiro sem ele. Quado buzino naquela porta só quero estar lá dentro e deixar o mundo todo lá fora. Quando eu tomo aquele banho já estou ali por completo,e eles sabem que eu estou e desafogam meu coração. Acho que pela primeira vez fui chamada com toda força que eles puderam. Quando eu bato minha cabeça nos pés da minha mãe tenho certeza que a tremedeira era a falta, e aí recebo aquele abraço apertado, aquele olhar acolhedor e aquela força de quem tem super poderes. E pouco preciso dizer. Entramos e entendemos as urgências. Era aquilo, de sempre, cuidado com as pessoas, cuidado com os corações, calma, calma, muita gente em volta. Respira, entenda o tempo das coisas. Deixa de ser burra. Assim vc estraga tudo. Uma Oxum, dois Xangôs, uma Iansã, dois Oguns e alguns Exus. Babado, confusão e gritaria, é muito trabalho espiritual, muita reflexão, muita experimentação, crescimento espiritual. O aprendizado foi de cuidar muito disso, com paciência e fé, muita fé. 

Eu tenho muito o que agradecer a meus guias, tenho muito o que dizer que os amo, tenho muito o que trabalhar por aquele lugar e dar o melhor de mim, pq eu não tenho dúvidas que sou privilegiada de ter um lugar para ir, sempre , todo os dias, para sempre. 

Esse também é um post para dizer que dar certo é isso, fazer dar.  E que eu tenho é muito muito amor dentro mim, tanto que canto alto mais alto que nunca Belchior. 








domingo, 15 de março de 2015

Minha mãe de santo me contou

...e não é só um.

"Há um menino
Há um moleque
Morando sempre no meu coração
Toda vez que o adulto balança
Ele vem pra me dar a mão
Há um passado no meu presente
Um sol bem quente lá no meu quintal
Toda vez que a bruxa me assombra
O menino me dá a mão
E me fala de coisas bonitas
Que eu acredito
Que não deixarão de existir
Amizade, palavra, respeito
Caráter, bondade alegria e amor
Pois não posso
Não devo
Não quero
Viver como toda essa gente
Insiste em viver
E não posso aceitar sossegado
Qualquer sacanagem ser coisa normal
Bola de meia, bola de gude
O solidário não quer solidão
Toda vez que a tristeza me alcança
O menino me dá a mão
Há um menino
Há um moleque
Morando sempre no meu coração
Toda vez que o adulto fraqueja
Ele vem pra me dar a mão"


terça-feira, 10 de março de 2015

Acontecerá

Nosso Pequeno Castelo

O Teatro Mágico

Já longe de tanta fumaça
Menina que manda seus beijos com graça
Me faça rir, me faça feliz
Sentada na areia, brincando com a sorte
Não chove não molha
Não olhe agora, estou olhando pra você
Não olhe agora, estou olhando pra você
Me faça um gesto, me faça perto
Me dê a lua que eu te faço adormecer
Me faça um gesto, me faça perto
Me dê a lua que eu te faço adormecer
Anoitecerá
Na estrada o farol de quem se foi
Já não ilumina quando te beijar
Parece que a vida inteira esperei para te mostrar
Que na rua dia desses me perdi
Esqueci completamente de vencer
Mas o vento lá da areia trouxe infinita paz
Já longe de tanta fumaça
Menina que manda seus beijos com graça
Me faça rir, me faça feliz
Sentada na areia, brincando com a sorte
Não chove não molha
Não olhe agora, estou olhando pra você
Não olhe agora, estou olhando pra você
Me faça um gesto, me faça perto
Me dê a lua que eu te faço adormecer
Me faça um gesto, me faça perto
Me dê a lua que eu te faço adormecer
Anoitecerá
Na estrada o farol de quem se foi
Já não ilumina quando te beija
Parece que a vida inteira esperei para te mostrar
Que na rua dia desses me perdi
Esqueci completamente de vencer
Mas o vento lá da areia trouxe infinita paz
No nosso livro, a nossa história
É faz de conta ou é faz acontecer?
No nosso livro, a nossa história
É faz de conta ou é faz acontecer?
No nosso livro, a nossa história
É faz de conta ou é faz acontecer?
No nosso livro, a nossa história
É faz de conta ou é faz acontecer?

domingo, 1 de março de 2015

A vida é uma piada

há alguns anos atrás, uns 4 talvez, liguei para minha amiga, dizendo que tava afim de dar uma saída, ia ter Jorge Benjor no Pelourinho e  eu convidei ela pra ir comigo. Ela rapidamente me respondeu: -Quem é esse?
 
E eu do alto da minha arrogância pseudo-intelectual , pensei: meu Deus é sério que eu vou ter que explicar isso? Ela ta de sacanagem comigo né? só pode!
 
De fato nós duas sempre tivemos muito pouca coisa em comum em nossos gostos e história de vida. Nossa amizade forte sempre se deu por uma força quase que espiritual, uma afinidade astral que foge do campo da razão. Para ser mais sincera, tinha tudo para dar errado, para ser o contrário, pra gente se olhar na rua pensar como é bom manter a distancia de 'certo tipo de gente'.
 
Mas não foi. Talvez a idade que a gente se conheceu, nossas experiências toxicas tenham nos favorecido um contato com mais desprendimento.
 
Fabi sempre foi a menina criada com a  vó rica, e eu sempre fui a menina criada pela mãe solteira muito doida e pobre. Eu desde sempre precisei me virar na vida e trabalhar desde muito cedo, ser participativa na nossa casa e fazer escolhas dolorosas. Fabi não sabia como o botijão de gás aparecia na cozinha, e me ligava em desespero quando se via numa situação, 'inusitada', dessas, Quase sempre eu ria e ajudava ela a resolver seu grande problema, não sem esculhambar ela todinha.
 
A barra pesou pro lado dela quando com 16 anos engravidou. O bicho pegou de verdade. Dentro do campo financeiro nada preocupava. Nunca preocupou. Mas ela tinha 16 anos, estávamos no cientifico, fumávamos maconha todos-os-dias-da-vida. Vivíamos na praia, e criança era a única coisa que não precisava acontecer aquela época. Ela abriu a porteira da maternidade de nosso grupo diverso de amigas. Era bem surreal pra mim que aquela menina magrela ia ter um bebe na barriga.
Lipinho nasceu saudável, numa noite de carnaval, de parto normal, e foi para o braço de uma menina que não sabia o que fazer com aquilo. Eu só teria minha primeira filha 4 anos depois de Lipe ter nascido. Muito possivelmente nossa amizade se apoiou muito dessas intercorrências. Uma vez um rapaz muito do querido me disse que as relações se sustentam das intercorrências e adversidades da vida. Um tanto pessimista, mas eu tendo a concordar com ele.
 
Bom, com Fabi vivi coisas indizíveis, já com Lipe nascido. Dividíamos muitos segredos. Foram muitos verões na Praia do Forte experimentando a sexualidade e os limites do corpo com excessos. Foram muitas festinhas, muitos atraques e fechações. Éramos bem abestalhadas, é verdade. E tínhamos certeza que não. Sorte grande ter dado tudo certo.
 
Ainda assim nossas diferenças eram gritantes, e quando elas berravam entre nós as conversas eram longas e produtivas. Eu sei que eu sempre assustei Fabiana, e eu bem da verdade, gostava de tirar ela da zona de conforto  e fazê-la pensar de outras formas. Eu era muito menos arrogante que sou hoje, mas já exercitava meu poder dessa forma desde cedo.
 
Depois que eu tive minha filha é que fui verdadeiramente descobrir o coração de Fabi. Que pessoa linda! Foram dias de muita dificuldade , de todos os aspectos e ela foi sempre sensacional.
 
Ontem, uns 18 anos depois da gente ter se conhecido... Fabiana casa. Um casamento que sempre sonhou. Um casamento que eu acompanhei de perto desde seu sonho até sua realização... com um cara que foi um alivio para todas nós hahahahha. Fabiana me contou tudo, exatamente tudo sobre o casamento...Fabiana sabe meus gosto, Fabiana sabe que entre o trio de psirico e os trios alternativos eu estarei fora das cordas... Fabiana me lê de trás pra frente... mas foi incapaz de mencionar a possibilidade do tio dela estar na festa e fazer um show. Tio esse, que sempre fui fã e só descobri que era seu tio, depois de 15 anos de amizade e uns 15 carnavais juntas, no enterro de seu avó, o querido Vô Dudu.
De repente Armandinho estava no palco. Como assim amiga?
Eu só olhei para ela de longe, tava ela lindérrima,  toda de branco , e eu de cá, bêbada, cai em mim. Essa é Fabiana. Armandinho não significa nada para ela além de um parentesco. E aí que ele Dodô e Osmar criaram o trio eletrico??? hahahah Ela tá lá de costas para o palco torcendo que aquilo acabe e desejando que o Dj toque PararaTibum, hahahah e como eu amo ela. Como eu amo sentir ódio dela por estar surpresa que Armandinho está no palco...
 
 
Resultado, bebi aceleradamente de euforia. Bebi como se fosse a avenida. Carnavalizei tudo de novo. Já estava em outra dimensão.. quando comecei a olhar para Fabiana e para o palco e perceber como é linda a diferença.. como somos mais lindas ainda  de sobreviver a ela durante todos esses anos.  Gritei , dancei, xinguei ela com aquele vestido branco lindíssimo e me rendi a seu dia, fui até o chão com ela, e nos divertíamos como há muito não fazíamos. Joguei minha dignidade no lixo, tirei todos os discursos higienizantes de meu corpo (são bem poucos), cantei Jorge e Mateus sem saber a letra , agarrada com ela, dancei "eu vou, eu vou, sentar agora eu vou" de forma erótica e chutei todos os baldes.
 
O casamento foi muito mais que uma celebração de amor, em mim tiveram outros efeitos.
 
E quando me vi, estava com 33 anos, dançando trenzinho da sacanagem com Armandinho, que desceu do palco e decidiu rasgar rua dignidade junto com a gente.

Ela é que é feliz.

E eu estou aprendendo.






segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

do que é bom de matar

sau.da.de 
sf (lat solitate1 Recordação nostálgica e suave de pessoas ou coisas distantes, ou de coisas passadas. 2 Nostalgia. Ornit Pássaro muito atraente da família dos Cotingídeos (Tijuca atra); assobiador. Bot Nome com que se designam várias plantas dipsacáceas e suas flores; escabiosa. Bot Planta asclepiadácea (Asclepias umbellata). sf pl Lembranças, recomendações, cumprimentos. S.-da-campina: o mesmo que cega-olho, acepção 1.Saudades-de-pernambuco: o mesmo que jitirana-de-leite. Saudades-perpétuas, Bot: planta da família das Compostas (Xeranthemum annuum).





"E é só você que tem a cura pro meu vício

De insistir nessa saudade que eu sinto

De tudo que eu ainda não vi." R.R







ouvir vozes

aí a pessoa que todos-os-dias-da-vida acorda sofrendo as 5 da manhã, um dia acorda as 4 para ouvir vozes.

só pode tá louca. Essa sensação de não reconhecimento eu já conheço. Em outras proporções e outras potências.

A coisa é grave. Sempre é.

Se tratando de mim todo cuidado é pouco. Preciso me lembrar disso.

O barulho da voz é como um chamado antigo, como se tivesse o tempo todo ali, me esquizofrenizando, me forçando uma lembrança que eu não vivi. E aí eu olho tudo em volta tentando me encontrar no quarto escuro, sem esperar o chato do despertador fazer seu cretino trabalho de me acordar  e preciso vir escrever. Preciso ser ouvida tb. Será que minha voz chega nos lugares também?

Será que estou ha muio tempo sem ir pro meu axé? será que uma noite de sexta feira para arriar um ebo pra meu Pai acalmaria meus ouvidos?

Meu parceirinho, meu João, tão ligado a mim, acorda junto comigo e me faz perguntas metafisicas complicadissimas e atemporais para seus curtos 5 ano. O que me deixa mais inquieta.

E aí, ao som do Discovery Kids, o maldito do despertador toca cumprindo seu papel de me lembrar o dia comprido que vai ser hoje, e que estamos em 2015. Isso aí, 2015 é impar.

Me vem na cabeça que talvez seja medo de avião. Eu preciso parar com isso, Um capuccino ajuda, sempre tenho em casa, pros dias de frio e vozes.





terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

me deixe dormir


carnavalizei-me

7 dias
era mesmo pra ser 7

encontros e desencontros, de sempre e quase nunca. Aqueles abraços de quem espera o ano todo.

Pelo primeira vez eu passo carnaval inteiramente entregue a mim mesmo. Eu não retribui olhares que não me fossem convenientes. Eu não me fiz presente onde eu não quisesse ser, de fato. Eu não deixei de pular nem um segundo, e não abri mão de minha luta, e nem das minhas pequenas alegrias.

Eu precisei mediar amores e rancores alheios, eu precisei cuidar dos outros e nem bebendo um litro de sagatiba por dia eu precisei ser cuidada.

Eu me fantasiei de Olinda e me fiz de ladeira.

eu sai de meu corpo e fui fazer encontros para alem da materialidade
eu olhei pra lua e vi olhares, virei o copo e senti cheiros
briguei por meu direito de ir e vir,e não voltar se quiser.
pulei todas as cordas, driblei todas as fardas, cobicei todos os amores.






Eu esperei o sinal ficar verde, impacientemente, esperei respostas sem a menor pretensão de realmente tê-las.

Eu vivi esse carnavalizar sabendo que no próximo ano estarei muito longe dele e dos outros, sabendo que a reclusão será obrigatória.


Eu disse não a outros e  sim a mim, eu disse, e senti.Me conciliar em mim nunca foi tão prazeroso.



sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

ganhei

um email, um presente, e muitas lágrimas.

a música...  é exatamente isso e um pouco mais. eu não sei dizer o que eu senti, se algum dia eu conseguir alcançar, eu volto aqui e tento.

Vc é foda.



paz, para acalmar o espírito
sabedoria para enfrentar a vida
muitas alegrias para justificar tudo.

11.02

sábado, 7 de fevereiro de 2015

aniversário

eu gosto do dia 11. É um dia simbólico para mim. Não só 11/02. O 11 mesmo.  Muitas coisas fortes acontecem dias 11. Pessoas muito legais são do dia 11. Mas isso é só uma contestação superticiosa de quem acha sentido para tudo.

Eu gosto do meu aniversário. Gosto muito, pq gosto de gente, e quanto mais diferente, mais eu gosto, não só diferente do normal, diferentes entre si. Nesse dia costumo conseguir reunir numa mesma mesa um número absurdo de gente diferente uma das outras, não falo só da diferença entre o roqueiro de preto e a macumbeira de branco. Não é só isso. É gente bacana com gostos esquisitos, pessoas malvadas que falam as dores do mundo sem sutileza, e gente que ri disso tudo. É gente que abraça até apertar e gente que não gosta de contato físico. É gente  submetida a todas as normatividades possiveis,e gente completamente dissidente...Tudo na mesma mesa, no mesmo espaço, pelo mesmo objeto, estar comigo.

Esse ano terei um plus. Mu aniversário vai ser na avenida. E eu desconfio que serei muito feliz. Amo carnaval. Amo receber muitos abraços e sorrisos, e beijos e afetos em super dose, só pq é meu aniversário.

Esse ano é um número bunitinho, 33.

33 anos de luta, não é fácil ser mulher, não é fácil ser filha de Vera Freitas, não é fácil ser aquariana, não é fácil ser feminista, nem ser ativista, nem ser mãe de dois, nem de um, não é fácil ter intensidades, não é fácil desejar tudo, não e fácil ter fé, ser macumbeira, ter bons sentimentos e sangue nos olhos!

Mas é uma delicia.

Quarta vou ser feliz, pq é dia de iansã, de Xangô, meus guias. Quarta vou ser feliz pq eu adoro um abraço apertado e manifestações inusitadas de amor. Vamos fechar a avenida!




Eu quero é botar-meu-bloco-na-rua







quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

uma tarde com ele


o pássaro azul



Charles Bukowski.


(Tradução: Pedro Gonzaga)
há um pássaro azul em meu peito
que quer sair
mas sou duro demais com ele,
eu digo, fique aí, não deixarei que ninguém o veja.
há um pássaro azul em meu peito que
quer sair
mas eu despejo uísque sobre ele e inalo
fumaça de cigarro
e as putas e os atendentes dos bares
e das mercearias
nunca saberão que
ele está
lá dentro.
há um pássaro azul em meu peito
que quer sair
mas sou duro demais com ele,
eu digo,
fique aí,
quer acabar comigo?
(…) há um pássaro azul em meu peito que
quer sair
mas sou bastante esperto, deixo que ele saia
somente em algumas noites
quando todos estão dormindo.
eu digo: sei que você está aí,
então não fique triste.
depois, o coloco de volta em seu lugar,
mas ele ainda canta um pouquinho
lá dentro, não deixo que morra
completamente
e nós dormimos juntos
assim
como nosso pacto secreto
e isto é bom o suficiente para
fazer um homem
chorar,
mas eu não choro,
e você ?