Capital Inicial me acompanhou numa fase muito doida de minha adolescência, e só por causa dessa música, e meu desejo sexual inexplicável por Dinho Ouro Preto, e quando escuto ela de novo, assim, por acaso, acordando, eu penso: quando vou desadolescer? quero?
Meu caminho é cada manhã
Não procure saber onde vou
Meu destino não é de ninguém
E eu não deixo os meus passos no chão
Se você não entende não vê
Se não me vê, não entende
Não procure saber onde estou
Se o meu jeito te surpreende
Se o meu corpo virasse sol
Se a minha mente virasse sol
Mas só chove, chove
Chove, chove
Se um dia eu pudesse ver
Meu passado inteiro
E fizesse parar de chover
Nos primeiros erros
Meu corpo viraria sol
Minha mente viraria ar
Mas só chove, chove
Chove, chove
Se um dia eu pudesse ver
Meu passado inteiro
E fizesse parar de chover
Nos primeiros erros
Meu corpo viraria sol
Minha mente viraria ar
Mas só chove, chove
Chove, chove
Meu corpo viraria sol
Minha mente viraria ar
Mas só chove, chove
Chove, chove
Meu corpo viraria sol
Minha mente viraria sol
Mas só chove, chove
Chove, chove
Aquariana, porém leonina. Libriana porém capricorniana. Flerto com o caos. Soteropolitana,feminista, louca, desajustada,desregulada, desenfreada.
terça-feira, 28 de julho de 2015
segunda-feira, 27 de julho de 2015
descompasso
já entendi. O ritmo é esse. Eu pensava que era coisa de um mês ou outro, nem vou profetizar aqui que agosto será um mês mais tranquilo pq eu sei que não será. Julho foi pra intensificar meu axé e minha força. todos os finais de semana de julho eu estive na roça, absolutamente todos. Em todos, eu dormi lá. Eu não sei na verdade o que seria de mim se não fosse isso, e sem dúvida foi o melhor que me aconteceu. Mas agora eu preciso de um final de semana pra me colocar em ordem, dormir, infinitamente , sem hora pra acordar....e depois preciso de outros pra me olhar no espelho, pra fazer uma unha, pra tomar um pingo de sol em algum lugar, pra ir no jazz que tanto gosto, pra bater um cabelo com a minhas beeshas!
Fora isso, filho doente, prazos vencendo, finalização de projeto, e vésperas do evento do ano. É babado. Mistura tudo ai e dá minha cara com olheira, zumbi, louca de sono....
Se o filho não estiver mais doente já ajuda bastante.
Minha casa sente minha falta, das paredes às gatas, e eu sinto delxs.
Vem a-gosto, termine de me enlouquecer. Agosto é mês de luto. Dois anos.
Fora isso, filho doente, prazos vencendo, finalização de projeto, e vésperas do evento do ano. É babado. Mistura tudo ai e dá minha cara com olheira, zumbi, louca de sono....
Se o filho não estiver mais doente já ajuda bastante.
Minha casa sente minha falta, das paredes às gatas, e eu sinto delxs.
Vem a-gosto, termine de me enlouquecer. Agosto é mês de luto. Dois anos.
domingo, 12 de julho de 2015
7a.
me risco de mim, de minhas historias, meus amores, minhas dores, e vai ter mais, muito mais. Serei uma velha riscada, toda.
O presente:"Todo amor de uma mãe. Pela vida , pelos filhos , pelo ser humano , pelo trabalho, pela religião e pelo respeito. Muito obrigada minha irmã pela generosidade das palavras , pela fraternidade de mais um encontro. Muito respeito."by Nely tattoer
O presente:"Todo amor de uma mãe. Pela vida , pelos filhos , pelo ser humano , pelo trabalho, pela religião e pelo respeito. Muito obrigada minha irmã pela generosidade das palavras , pela fraternidade de mais um encontro. Muito respeito."by Nely tattoer
quinta-feira, 9 de julho de 2015
julho já.
eita que junho passou que eu nem consegui vir aqui. Minha vida deu uma escarreirada no ritmo de trabalho que eu - como há muito não acontecia- sinto medo da velocidade das coisas. Tenho tentado me concentrar pq a sensação que eu tenho é que posso acabar meus pés pelas mãos.
Concentração seja em qual nivel for é sempre um problema pra mim.Inquieta, impulsiva, qualquer vacilo já virei a esquina e deixe para lá. E aí, depois só embola tudo. Tenho mesmo ficado assustado com o volume de coisas que tenho assumido e a velocidade do tempo me desorientando.... e olha que aqui quem vos fala é uma pessoa que gosta e só sabe trabalhar sobre pressão, no ultimo momento do prazo, sempre com a certeza de que vou conseguir e que vai dar tudo certo.... a pois, tenho sentido medo.
Com isso muitas coisas se re+des+organizam em mim. Eleger prioridades sempre me convoca a pensar menos e tender não mexer nas coisas.
Passei dez dias fora da rotina, fora dos eixos, fora dos horários e dos limites. Sem freios. Conhecendo, e fazendo oq mais amo nessa vida, ver a vida dos outros. Sentir outros modos de vida. por lá muito frio, muita tentativa, muitos sentimentos, e controvérsias.
Ainda não tenho os efeitos práticos dessa viagem, mas sei que quando estamos longe e fora do que nos é dito como real, tudo parece mais facil e tranquilo, e de certa forma, quente, por maior que seja o frio.
Agora, vem um mês cheio de ocupação no axé, o que é muito bom que quando estou perto de minhas entidades, trabalhando por elas, sinto que posso decidir melhor todas as coisas da minha vida. Cada noite sem dormir trabalhando por elxs, cada bicho tratado, cada cabeça batida... preciso disso, mesmo.
Nesse mês coisas importantes vão acontecer por lá, e recebi algumas respostas praticas sobre muita coisa, Meu Pai Ogum, se fazendo presente e me dizendo que ta tudo bem. Eu sou só gratidão pro isso. Essa minha semana tem sido louca, louca, louca, cheia de pepinos de trabalho e com uma rotatividade de novidades que tá demais pra mim.
Mas está tudo bem. Estará,
Em fim, lá vem a próxima semana, mais leve, por favor!!!
Concentração seja em qual nivel for é sempre um problema pra mim.Inquieta, impulsiva, qualquer vacilo já virei a esquina e deixe para lá. E aí, depois só embola tudo. Tenho mesmo ficado assustado com o volume de coisas que tenho assumido e a velocidade do tempo me desorientando.... e olha que aqui quem vos fala é uma pessoa que gosta e só sabe trabalhar sobre pressão, no ultimo momento do prazo, sempre com a certeza de que vou conseguir e que vai dar tudo certo.... a pois, tenho sentido medo.
Com isso muitas coisas se re+des+organizam em mim. Eleger prioridades sempre me convoca a pensar menos e tender não mexer nas coisas.
Passei dez dias fora da rotina, fora dos eixos, fora dos horários e dos limites. Sem freios. Conhecendo, e fazendo oq mais amo nessa vida, ver a vida dos outros. Sentir outros modos de vida. por lá muito frio, muita tentativa, muitos sentimentos, e controvérsias.
Ainda não tenho os efeitos práticos dessa viagem, mas sei que quando estamos longe e fora do que nos é dito como real, tudo parece mais facil e tranquilo, e de certa forma, quente, por maior que seja o frio.
Agora, vem um mês cheio de ocupação no axé, o que é muito bom que quando estou perto de minhas entidades, trabalhando por elas, sinto que posso decidir melhor todas as coisas da minha vida. Cada noite sem dormir trabalhando por elxs, cada bicho tratado, cada cabeça batida... preciso disso, mesmo.
Nesse mês coisas importantes vão acontecer por lá, e recebi algumas respostas praticas sobre muita coisa, Meu Pai Ogum, se fazendo presente e me dizendo que ta tudo bem. Eu sou só gratidão pro isso. Essa minha semana tem sido louca, louca, louca, cheia de pepinos de trabalho e com uma rotatividade de novidades que tá demais pra mim.
Mas está tudo bem. Estará,
Em fim, lá vem a próxima semana, mais leve, por favor!!!
domingo, 31 de maio de 2015
31
Que mês gigannnnnte foi esse? A ultima vez q tinha vindo aqui foi há 20 dias atrás e parece que foi 40. Filho completando 6 anos, e outro dias era um recém nascido e eu uma mãe toda querendo me encontrar. Mês de aniversário dos meus parece sempre um mini inferno astral meu. Agora as coisas tendem a se acalmar e eu consigo me concentrar de novo nos meus afazeres.
Meu janjão é uma criança linda linda linda. Toda mãe acha seu filho lindo lindo lindo... mas poxa, eu sou professora, de crianças da mesma idade dele, convivo diáriamente com elxs e não é muito dificil ser espertinha e perceber que meu filho é uma criança muito bacana. Jão tem uma sensibilidade espantosa e isso o fortalece incrivelmente. Ele parece ter discernimento sobre coisas que me assusta e as vezes me pego infantilizando ele para poupá-lo das dores do mundo, que ele parece sentir com tanta honestidade.Ele é minha paixãozinha. Aquilo de amor eterno, bem romantizado.
Mas vamos aos fatos praticos da vida. A Ufba entra em greve e me desanimo um bocado. Eu acho que necessária e apoio completamente, mas enquanto aluna é beeeem chato me ver em janeiro lá . Vou nem pensar nisso... até porque tenho planos de estar recolhida para minha obrigação e não pretendo abrir mão disso. Bem, entrego aos orixás.
Junho chegou, e as minhas cobiçadas férias juninas chegam junto. Não vai ser um período de descanso, uma viagem de descanso, vai ser uma viagem principalmente de desconstruir. Desconstruir dói e dá trabalho, então, não faço ideia de como voltarei de Buenos Aires. Serão dez dias para me desfazer de muitas coisas muito grandiosas que eu espero saber fazer com muita cautela e amor.
Descanso na verdade eu acho que só terei agora quando entrar para fazer a minha obrigação em janeiro. Até la a vida tende a ser a 200 km/h, com direito a tempestades e terremotos de proporções grandiosas. Quem puder e quiser que se segure. Entrarei para meu recolhimento em uma fase completamente desconhecida para mim e vai ser muito bom ficar longe de tudo.
Eu to assim, esperando a ventaia chegar e fazendo ela acontecer.
Vamo ver como a coisa se desenrola. O de sempre para mim: amor, amor e amor para tomar as melhores decisões e encaminhar a situação da melhor forma possível.
Que venha junho com a Feijoada de papai Ogum dia 13, e a fogueira de Xangô, pra derreter todo gelo que vai estar por perto de mim.Ogunhê,!!!! Kaô Cabiecilé!
Meu janjão é uma criança linda linda linda. Toda mãe acha seu filho lindo lindo lindo... mas poxa, eu sou professora, de crianças da mesma idade dele, convivo diáriamente com elxs e não é muito dificil ser espertinha e perceber que meu filho é uma criança muito bacana. Jão tem uma sensibilidade espantosa e isso o fortalece incrivelmente. Ele parece ter discernimento sobre coisas que me assusta e as vezes me pego infantilizando ele para poupá-lo das dores do mundo, que ele parece sentir com tanta honestidade.Ele é minha paixãozinha. Aquilo de amor eterno, bem romantizado.
Mas vamos aos fatos praticos da vida. A Ufba entra em greve e me desanimo um bocado. Eu acho que necessária e apoio completamente, mas enquanto aluna é beeeem chato me ver em janeiro lá . Vou nem pensar nisso... até porque tenho planos de estar recolhida para minha obrigação e não pretendo abrir mão disso. Bem, entrego aos orixás.
Junho chegou, e as minhas cobiçadas férias juninas chegam junto. Não vai ser um período de descanso, uma viagem de descanso, vai ser uma viagem principalmente de desconstruir. Desconstruir dói e dá trabalho, então, não faço ideia de como voltarei de Buenos Aires. Serão dez dias para me desfazer de muitas coisas muito grandiosas que eu espero saber fazer com muita cautela e amor.
Descanso na verdade eu acho que só terei agora quando entrar para fazer a minha obrigação em janeiro. Até la a vida tende a ser a 200 km/h, com direito a tempestades e terremotos de proporções grandiosas. Quem puder e quiser que se segure. Entrarei para meu recolhimento em uma fase completamente desconhecida para mim e vai ser muito bom ficar longe de tudo.
Eu to assim, esperando a ventaia chegar e fazendo ela acontecer.
Vamo ver como a coisa se desenrola. O de sempre para mim: amor, amor e amor para tomar as melhores decisões e encaminhar a situação da melhor forma possível.
Que venha junho com a Feijoada de papai Ogum dia 13, e a fogueira de Xangô, pra derreter todo gelo que vai estar por perto de mim.Ogunhê,!!!! Kaô Cabiecilé!
segunda-feira, 11 de maio de 2015
desfazendo maio
ô mesinho cretino viu?
Tinha tempo que n me vinha uma avalanche de coisa pra fazer de uma vez só, é só ver minha ausência aqui. A melhor parte de tudo, como sempre é a minha cachaça. O Cus. Iniciamos o Abrindo CUs, junto com isso a organização e comissão cientifica do Desfazendo Gênero, que tem consumido boa parte da minha lucidez, e ainda o Maio da Diversidade com 30 atividades e 2345678767897 palestras, que todo mundo resolve fazer neste mês, pra ser politicamente correto. Eu juro que não sabia que dava conta de tanta coisa junto. Bote aí algumas doses de surtada no final de tudo. Abrindo o Cus acaba nesse semestre e Maio "já está no final"... vamo ver o que sobra de mim disso aí.
E aqui eu nem to falando de mestrado, filhos, macumba, flertes e amigos, nem to contando os amores e desabores, nem to falando das insônias pelas duvidas, pelas certezas e as vontades de me perder por becos e vielas, nem to contando as carteiras de cigarro que eu n devia ter fumado e todas as outras que excedi a cota diária. Nem to dizendo que furei todas as consultas medicas, e ortodônticas pq n tenho tempo para parar a vida nesse mês e cuidar dessas coisas q nunca são mesmo prioridade para mim.
Em fim, maio vai passar, mas antes de passar ainda sentirei um bocado de coisa, e fecho ele com aniversário do pequeno e o Enlaçando Sexualidades e visitas mil em casa. Aiai, toma aí distraída!
Tanta coisa assim, a vida acaba decidindo um monte de coisa por mim.
Tinha tempo que n me vinha uma avalanche de coisa pra fazer de uma vez só, é só ver minha ausência aqui. A melhor parte de tudo, como sempre é a minha cachaça. O Cus. Iniciamos o Abrindo CUs, junto com isso a organização e comissão cientifica do Desfazendo Gênero, que tem consumido boa parte da minha lucidez, e ainda o Maio da Diversidade com 30 atividades e 2345678767897 palestras, que todo mundo resolve fazer neste mês, pra ser politicamente correto. Eu juro que não sabia que dava conta de tanta coisa junto. Bote aí algumas doses de surtada no final de tudo. Abrindo o Cus acaba nesse semestre e Maio "já está no final"... vamo ver o que sobra de mim disso aí.
E aqui eu nem to falando de mestrado, filhos, macumba, flertes e amigos, nem to contando os amores e desabores, nem to falando das insônias pelas duvidas, pelas certezas e as vontades de me perder por becos e vielas, nem to contando as carteiras de cigarro que eu n devia ter fumado e todas as outras que excedi a cota diária. Nem to dizendo que furei todas as consultas medicas, e ortodônticas pq n tenho tempo para parar a vida nesse mês e cuidar dessas coisas q nunca são mesmo prioridade para mim.
Em fim, maio vai passar, mas antes de passar ainda sentirei um bocado de coisa, e fecho ele com aniversário do pequeno e o Enlaçando Sexualidades e visitas mil em casa. Aiai, toma aí distraída!
Tanta coisa assim, a vida acaba decidindo um monte de coisa por mim.
segunda-feira, 20 de abril de 2015
Se eu fosse Verônica
Eu não sei o crime que Verônica cometeu. Sinceramente eu não procurei saber. O que eu sei é que não faz a menor diferença diante dos fatos em questão. No último domingo (12), Verônica foi detida, após conflito entre vizinhxs, e na delegacia teve seu cabelo raspado, foi colocada em cárcere masculino e foi espancada. Após reagir à violência mordendo a orelha de um dos policiais que lhe agredia, Verônica foi oferecida à imprensa em condições desumanas, quando mais uma vez foi violentada. (Leia mais aqui, http://www.revistaforum.com.br/questaodegenero/2015/04/15/em-defesa-de-veronica-bolina/ ).
O que é importante saber é que, se pudéssemos medir o tamanho do seu crime, e eu, mulher, branca, cis, classe média, tivesse cometido um crime duas vezes maior do dela, com certeza absoluta minha imagem não estaria estampada nos jornais, com quase todo meu corpo à mostra. Sem dúvida, a polícia pelo menos se preocuparia em esconder os meus hematomas, eu sofreria uma série de sanções sociais, além das jurídicas, por ser uma mulher criminosa. Mas provavelmente até marchas feministas estariam na porta da delegacia, mas eu não estaria violentada de forma tão escancarada, com o aval de toda uma sociedade. Disso eu tenho convicção.
Se eu fosse negra, a coisa estava mais complicada pro meu lado. Teríamos, com certeza, enquadramentos midiáticos horríveis, que naturalizariam minha aptidão criminosa de forma a fazer entender que é esperado que uma pessoa negra esteja ligada ao crime. Provavelmente meus advogados seriam menos interessados em mim, a polícia me trataria com o desdém racista, e eu teria muitos direitos infringidos. Mas, ainda assim, meu corpo não seria exposto nu, deformado por pancadas dessas policias. Caso, por algum ‘descuido’, acontecesse, os direitos humanos podiam até acionados.
Mas, para um corpo completamente abjeto, com o menor valor do mercado, a quem se aciona?
Verônica é travesti e negra. Quem é o Deus protetor dessas mulheres? Qual tipo de polícia é especializada para tratar com ela? Que tipo de assistência básica lhes é garantida? Que tipo de justiça lhe é ofertada? Que Direitos Humanos funcionariam a quem é cotidianamente desumanizada?
Se eu fosse a Verônica, porém cis e branca, e tivesse tirado um pedaço da orelha de um PM, para a metade a população eu seria uma louca a ser medicalizada, para outra metade eu seria até uma feminista resistente que chegou no seu limite para garantir sua sobrevivência.
Mas Verônica, é negra e travesti, e a sociedade, hegemonicamente, a lê como um monstro cometendo monstruosidades. A quem interessa?
Se importariam se eu, cis e branca, morresse na delegacia? Se eu aparecesse morta, quantos “menos um” seria dito sobre mim? Quantos acreditariam no que de fato aconteceu lá dentro? Verônica está presa, humilhada, torturada, completamente desamparada, e provavelmente deve estar lutando pela própria vida dentro da cadeia. Porque, desde os homens presos junto com ela, até os carcereiros, delegados, juízes, pouco se importam com a forma como se deu a prisão, a construção midiática em torno disso e sua repercussão. Pelo contrário, esse é o corpo que pode e deve ser invadido, esse é o cabelo que deve ser arrancado, a unha que deve ser quebrada uma a uma, o batom que deve ser arrancado da boca debaixo de porrada, o seio que não merece poesia, o direito que deve ser negligenciado.
É didático, e muito doloroso, ler os comentários das reportagens cisexistas e transfóbicas, e compreender por quais mortes choramos, como sugere Butler: é verdade que todas as vidas deveriam importar, se a construção fosse essa, se as normatividades de gênero, sexualidade e raça não colocassem travestis no lugar máximo de abjeção e repulsa social. Mas não é, e sabemos que há uma potente escala de inteligibilidade que acessa nosso choro e sensibilidade, e é essa construção que nos deve interessar.
Talvez, ao desconstruir da hierarquização de inteligibilidade humana, as pessoas parem deslegitimar as identidades de gênero dissidentes e travestis deixem de ser apedrejadas, humilhadas, torturadas pela cultura fascista naturalizada. Talvez aí nos soe absurdo a cena de uma pessoa com as condições que Verônica foi apresentada pela polícia. E para a mídia a orelha do policial deixe de ser o que importa e escandaliza, e o caso passe a ser visto como um ato desesperado de revolta e sobrevivência de uma mulher sistematicamente violentada. E talvez aí as lágrimas pelas travestis comecem a rolar, o pronome feminino passe a ser respeitado, e seus direitos humanos básicos sejam garantidos.
Eu sou Verônicas, todos os dias. Pelo fim das brutalidades contra essas mulheres.
Texto meu.
Publicado originalmente em Políticas do CuS
Texto meu.
Publicado originalmente em Políticas do CuS
segunda-feira, 13 de abril de 2015
13 de abril
Então, hoje o dia foi doido. Eu cheguei as 7:30 atrasada na escola, e fiquei lá até agora, entrando e saindo de reunião. Mil vezes me perguntaram, - que data é hoje? Isso nunca acontece. Sempre sou eu a perdida que pergunta isso. E todas as vezes que me perguntavam, eu dizia, 13 de abril. E dizer isso era evocar uma série de sensações, umas domesticadas e outras não. E ai eu pensei. hoje é segunda-feira , dia de Exu, e 13. Muito mais doido que sexta-feira 13. Ainda mais sendo abril.
Ainda mais.
E ai entre uma respirada e outra, eu olhava para o lado e via o tempo voando, a segunda indo embora e a minha de perspectiva de parar um pouco para cumprir o rito anual deste dia ficando mais distante. Esse ano passei o o dia bem consciente e nos intervalos entre uma fumaça e outra eu pensava em como a vida é linda e como os sentimentos nos fazem sentir mais ela.
Não vai ser ainda esse ano que quebrarei o protocolo, continuo desejando o céu inteiro para vc, os sorrisos mais desajeitados, as gargalhadas mais impiedosas, as lágrimas mais justas, os sentimentos mais sutis e as memórias mais despretensiosas. Desejo, um rio de desejos, sinta todos, não os deixe passar. Espero que o controle remoto da minha mão, a direção do filme da minha vida esteja um pouco na sua, e que vc volte quantas vezes precisar. E que saiba que se apertar o pause o tempo continuará correndo, ainda assim.
Nesse dia, eu quero estar mais perto de vc e estou.
E lhe abraço bem forte, e te olho profundamente até o infinito, e vejo vc lá, sentado na praia, levando Renato muito a sério, como deve ser.
Que Exu esteja em seu caminho, e lhe oferte tudo que ele tem de melhor: vida.
A palavra “Exu” significa, em ioruba, “esfera”, aquilo que é infinito, que não tem começo nem fim. Exu é o principio de tudo, a força da criação, o nascimento, o equilíbrio negativo do Universo, o que não quer dizer coisa ruim. Exu é a célula master da geração da vida, o que gera o infinito, infinita vezes.
É considerado o primeiro, o primogênito; responsável e grande mestre dos caminhos; o que permite a passagem o inicio de tudo. Exu é a força natural viva que formenta o crescimento. É o primeiro passo em tudo. É o gerador do que existe, do que existiu e do que ainda vai existir.
Exu está presente, mais que em tudo e todos, na concepção global da existência. É a capacidade dinâmica de tudo que tem vida. Principalmente dos seres humanos que carregam, em seu plexo, o elemento dinâmico denominado Exu.
É aquilo que no candomblé chamamos de Bára, ou seja “no corpo”, preso a ele. É o que nos dá capacidade de agir, andar, refletir, idealizar. Sem o elemento Bára, a vida sadia é impossível. Sem ele, o homem seria excepcional, retardado, impossível de coordenar e determinar suas próprias atitudes e caminhos de vida..
Realmente, Exu está presente em tudo. E damos como exemplo inicial a concepção da geração da vida. O membro ereto do macho tem a presença de Exu- aliás, em terras da África, o membro rijo é o símbolo da vida, o símbolo de Exu - ; a penetração na fêmea, tema a regência de Exu; a ejaculação é coordenada por Exu; o percurso do espermatozóide dentro da fêmea, é regido por Exu; também na fecundação do óvulo Exu está presente. E quando a primeira célula da vida esta formada, a presença de Exu se faz necessária. Já na multiplicação da célula, a regência passa por Oxum, que vai reger o feto até o nascimento.
Exu também está presente no calor, no fogo, na quentura. Presente se faz nos lugares poucos arejados, nos lugares onde existem multidões, nos ambientes fechados e cheios.
Exu está na alteração do ânimo, na discussão, na divergência, no nervosismo. Está presente no medo, no pavor, na falta de controle do ser humano. Também está perto na gargalhada, no riso farto, na alegria incontida. Para nós brasileiros, amantes do futebol, Exu está presente no grito de “gol”, que soltamos de forma feliz e nervosa. É o desprendimento do nervosismo contido no peito.
Exu é a velocidade, a rapidez do deslocamento. É a bagunça generalizada e o silêncio completo. Diz-se que Exu é a contradição. É o sim e o não; o ser e o não ser. Exu é a confusão de idéias que temos. É a invenção, descoberta. Exu é o namoro, é o desejo, é o sentimento de paixão desenfreadas e é também o desprezo. Exu é a voz, o grito, a comunicação. É a indignação e a resignação. É a confusão dos conceitos ba´sico. Aquele que ludibria, engana, e confunde; mas também ajuda, dá caminhos, soluciona. É aquele que traz a dor e a felicidade.
Exu é a força que atua sobre o negativo de qualquer pessoa tentando equilibrar essa ação. É aquele que faz o erro virar acerto e o acerto virar o erro. É aquele que escreve reto em linhas tortas, escreve torto em linhas retas e escreve torto em linhas tortas.
Mesmo nos momentos em que nos vemos no meio do caos, Exu sabe fazer com que a ordem prevaleça. Exu não gosta de displicência e de injustiça, não aceita nada mais e nada menos do que lhe é de direito e de dever.
Um bom presente de aniversário:
domingo, 5 de abril de 2015
março se foi,
e que seus estragos permaneçam intactos. Era preciso. Essas duas ultimas semanas de março me levaram tudo que eu tinha de certeza do controle em minhas mãos. Eu preciso disso. Eu preciso passar por essas coisas para parar de me iludir com esse sentimento cretino.
No final, que tá longe de ser o fim, deu tudo certo. E eu sei que dará, pq é assim mesmo, a vida, sempre nova, acontecendo de surpresa. Afinal, o mundo seria um caos sem músicas, poesias, e literatura não é? Aprendi assim.
Eu fiquei muito triste, e sem saber por onde reorganizar a vida, e os sentimentos, mas hoje, apesar do medo, eu tenho mais é que agradecer a meus orixás e que , em nenhum momento deixaram de estar comigo, pelo contrario. Me presentearam com a possibilidade de sinceridade e a oportunidade de sentir os melhores sentimentos.
Tá tudo certo, tudo bem.
E Tempo será meu guia. Iroko Issó! Eró!Iroko Kissilé!!! “O TEMPO DÁ, O TEMPO TIRA, O TEMPO PASSA E A FOLHA VIRA” Que Zara Tempo, que Tempo Zará, Olorum Modupé!
Quero outras semanas, com tão pouca santidade, e tanto axé e buniteza, ...tanta sobra de afeto. Quero o cuidado deles e a presença sua, sempre que possível,e quando impossível seja também, presente.
Então, não desista de mim, vida.
No final, que tá longe de ser o fim, deu tudo certo. E eu sei que dará, pq é assim mesmo, a vida, sempre nova, acontecendo de surpresa. Afinal, o mundo seria um caos sem músicas, poesias, e literatura não é? Aprendi assim.
Eu fiquei muito triste, e sem saber por onde reorganizar a vida, e os sentimentos, mas hoje, apesar do medo, eu tenho mais é que agradecer a meus orixás e que , em nenhum momento deixaram de estar comigo, pelo contrario. Me presentearam com a possibilidade de sinceridade e a oportunidade de sentir os melhores sentimentos.
Tá tudo certo, tudo bem.
E Tempo será meu guia. Iroko Issó! Eró!Iroko Kissilé!!! “O TEMPO DÁ, O TEMPO TIRA, O TEMPO PASSA E A FOLHA VIRA” Que Zara Tempo, que Tempo Zará, Olorum Modupé!
Quero outras semanas, com tão pouca santidade, e tanto axé e buniteza, ...tanta sobra de afeto. Quero o cuidado deles e a presença sua, sempre que possível,e quando impossível seja também, presente.
Então, não desista de mim, vida.
quarta-feira, 1 de abril de 2015
Você se lembra
Entre as estrelas do meu drama
Você já foi meu anjo azul
Chegamos num final feliz
Na tela prateada da ilusão
Você já foi meu anjo azul
Chegamos num final feliz
Na tela prateada da ilusão
Na realidade onde está você
Em que cidade você mora
Em que paisagem em que país
Me diz em que lugar, cadê você
Em que cidade você mora
Em que paisagem em que país
Me diz em que lugar, cadê você
Você se lembra
Torrentes de paixão
Ouvir nossa canção
Sonhar em Casablanca
E se perder no labirinto
De outra história
Torrentes de paixão
Ouvir nossa canção
Sonhar em Casablanca
E se perder no labirinto
De outra história
A caravana do deserto
Atravessou meu coração
E eu fui chorando por você
Até os sete mares do sertão
Atravessou meu coração
E eu fui chorando por você
Até os sete mares do sertão
Você se lembra..
Geraldo Azevedo
Geraldo Azevedo
domingo, 29 de março de 2015
dos processos teurapeuticos curativos
hoje é domingo, nesses dias, minha casa costuma ter sempre gente, alguém sempre bate aqui pra almoçar, quando não é assim estou enchendo a casa de alguém com todos os meus excessos.
Estou em dias tão delicados de minha vida que me forcei a solidão. Aproveitei o vazio da casa para sentir as coisas. Coloquei minha lista de musicas fossa, e mergulhei na cozinha. Minha cozinha virou meu quarto. Entre cigarro, musicas e tempero resolvi cuidar de mim. Resolvi sair da cama, e ir enfrentar a cozinha. E como foi terapeutico. Cozinhei para mim, so eu ia almoçar, normalemnte em dias assim eu nem como.
Enfrentei as dores, eu, a faca e a tabua de temperos. moí tudo no liquidificador, coloquei sal sem pensar no gosto alheio, coloquei a quantidade de pimentão que eu achei necessária.
Isso foi tão bom. Eu me vi colocando a mesa para mim, ouvindo a musica que eu queria no volume que me agradasse.
Pensei, senti, parei de cortar tudo, falei com amores gaúchos, fiz tratos comigo, estipulei metas, descumpri regras , puxei a cadeira que gosto para dentro da cozinha e me melhorei.
Não sei até que horas,mas sei que serviu para eu pensar em mim. De forma bem egoista mesmo. Eu detesto não reconhecer meus sentimentos. Quando eu me vejo tumultuando tudo é como se eu tivesse me boicotando. Eu sei que se eu parar um pouco para ver, para escutar e sentir tudo, as coisas vão ficar menos turvas.
Em fim, cozinhei para mim, no meu tempo, com meu tempero, e cuidei de pensar em tudo, e me permiti sentir meu caos e me assustar com ele. A solidão é uma coisa poderosa quando se escolhe por ela.
Eu, meus alhos e minha fumaça fomos felizes no meio de tão poucas risadas.
Ele sempre comigo, me acompanhando nos mais doidos devaneios, o nome da musica é um detalhe importante, Obrigada Renato!
Estou em dias tão delicados de minha vida que me forcei a solidão. Aproveitei o vazio da casa para sentir as coisas. Coloquei minha lista de musicas fossa, e mergulhei na cozinha. Minha cozinha virou meu quarto. Entre cigarro, musicas e tempero resolvi cuidar de mim. Resolvi sair da cama, e ir enfrentar a cozinha. E como foi terapeutico. Cozinhei para mim, so eu ia almoçar, normalemnte em dias assim eu nem como.
Enfrentei as dores, eu, a faca e a tabua de temperos. moí tudo no liquidificador, coloquei sal sem pensar no gosto alheio, coloquei a quantidade de pimentão que eu achei necessária.
Isso foi tão bom. Eu me vi colocando a mesa para mim, ouvindo a musica que eu queria no volume que me agradasse.
Pensei, senti, parei de cortar tudo, falei com amores gaúchos, fiz tratos comigo, estipulei metas, descumpri regras , puxei a cadeira que gosto para dentro da cozinha e me melhorei.
Não sei até que horas,mas sei que serviu para eu pensar em mim. De forma bem egoista mesmo. Eu detesto não reconhecer meus sentimentos. Quando eu me vejo tumultuando tudo é como se eu tivesse me boicotando. Eu sei que se eu parar um pouco para ver, para escutar e sentir tudo, as coisas vão ficar menos turvas.
Em fim, cozinhei para mim, no meu tempo, com meu tempero, e cuidei de pensar em tudo, e me permiti sentir meu caos e me assustar com ele. A solidão é uma coisa poderosa quando se escolhe por ela.
Eu, meus alhos e minha fumaça fomos felizes no meio de tão poucas risadas.
Ele sempre comigo, me acompanhando nos mais doidos devaneios, o nome da musica é um detalhe importante, Obrigada Renato!
"Faço nosso o meu segredo mais sincero
E desafio o instinto dissonante.
A insegurança não me ataca quando erro
E o teu momento passa a ser o meu instante.
E o teu medo de ter medo de ter medo
Não faz da minha força confusão.
Teu corpo é meu espelho e em ti navego
E eu sei que a tua correnteza não tem direção.
E desafio o instinto dissonante.
A insegurança não me ataca quando erro
E o teu momento passa a ser o meu instante.
E o teu medo de ter medo de ter medo
Não faz da minha força confusão.
Teu corpo é meu espelho e em ti navego
E eu sei que a tua correnteza não tem direção.
Mas, tão certo quanto o erro de ser barco
A motor e insistir em usar os remos,
É o mal que a água faz quando se afoga
E o salva-vidas não está lá porque não vemos."
A motor e insistir em usar os remos,
É o mal que a água faz quando se afoga
E o salva-vidas não está lá porque não vemos."
sábado, 21 de março de 2015
pessoas necessárias
Hoje recebi em minha página um link que me fez pensar em pessoas necessárias.
Recebi o link de Carlos Bonfim. Professor de primeiro semestre no Bacharelado. Foda. Ele foi responsável por tirar vários panos dos meus olhos. Ainda posso ouvir sua voz marcante e suave, necessária. Nutri inclusive uma paixão platônica por sua pessoa. Mas platônica mesmo, ele nunca soube, se soubesse acharia graça. Eu tentava disfarçar e não tinha a menor pretensão de levar aquilo para além a abstração. Ainda guardo uma copia do email que chegou até mim, onde ele me indicava a uma professora para participar de seu grupo de pesquisa, e se referia a mim como uma das alunas promissoras do IHAC. Todos os dez que e me deu em sua aula de Estudo das Culturas, não me deixaram mais feliz que suas palavras naquele e-mail.
Foi através dele que conheci projetos e pessoas sensacionais. O projeto Sarau bem black , do gigante Nelson Maca. Foi ele que levou nossa turma numa quarta-feira de noite lá no Sankofa African Bar, para jogar na minha cara como eu não sabia de porra de nada da vida. Eu ainda amamentando meu pequeno João, tão longe de outras socializações, lembro claramente o que senti quando entrei naquele lugar, era o véu caindo, era a vida sorrindo e pisando, era a muita coisa prum semestre só... eu tinha era que ter uns 6 semestres com aquele homem que me desconstruiu toda. Que não me avaliava em números e me levava para conhecer a produção cinemátográfica de Bollywood, e fiquei envergonhada da minha cegueira. Foi ele quem me levou pro hip hop, e me disse suavemente que eu precisava ir ao Equador. Ainda irei.
Carlos é necessário em toda universidade, é necessário em todas as vidas, e seu projeto não diferente dele é incrivel, e tai bombando. Adoro voltar dos lugares ouvindo Latitudes Latina no carro, mato a saudade dele.
Carlos é o tipo de homem que foge os estereótipos, todos, de autoridade enquanto professor, de masculinidade enquanto homem cis, enquanto produtor de conhecimento. Ele de fato borra diversas fronteiras, e isso o deixa por demais interessante.
A história de vida de Carlos é incrível. E ele tem tanta suavidade em ser, e parece ser intelectualmente tão honesto, que não é surpresa nenhuma ouvir sua voz hoje em uma das rádios mais potentes de Salvador, não é surpresa nenhuma ver o o projeto Latitudes Latinas ocupando diversos espaços. Muito bom perceber nossas afinidades na perspectiva pós-colonial, e perceber que cruza completamente com meus interesses em estudos de gênero. Eu me identifiquei por demais com os saraus do Latitudes organizados no sebo, achei sensacional o encontro de pessoas latinas ao som de suas musicas... aquele povo é demaiiis!
Eu lembro de ter tomado um breve café com ele em letras há uns 3 anos atrás e ter lhe dito de meus projetos em gênero e sexualidade, e ele disse que sabia de minhas pesquisas e que torcia pela minha entrada lá no PósCult. Disse isso tão honestamente que pensei em levar a diante aquela ideia maluca de colocar um mestrado em minha vida. Fique animada em saber que ele seria meu professor de novo caso eu entrasse no poscult e ainda estou no aguardo de me ver trocando outra ideia com ele e outrxs colegas na mesma sala de aula. E nunca mais falamos, nos vemos brevemente nos lugares de interesse comum, mas sempre com muita gente e som, dois beijos e tchau. Até eu passar no mestrado, quando ele me mandou um email muito do gentil dizendo que tava muito feliz com minha entrada lá e que sabia que em breve seríamos colega. Espero ter várias oportunidades de agradecer suas singelas palavras de sempre e sua doce desconstrução em minha vida, eu acho que eu nunca disse a ele de sua importância na minha formação e como tudo fez sentido quando ele me ajudou a entender a contra-cultura e cobiçar a subalternidade.
é isso, mais Carlos, por favor.
quarta-feira, 18 de março de 2015
Pequeno mapa do tempo
Eu tenho medo e medo está por fora
O medo anda por dentro do teu coração
Eu tenho medo de que chegue a hora
Em que eu precise entrar no avião
O medo anda por dentro do teu coração
Eu tenho medo de que chegue a hora
Em que eu precise entrar no avião
Eu tenho medo de abrir a porta
Que dá pro sertão da minha solidão
Apertar o botão: cidade morta
Placa torta indicando a contramão
Faca de ponta e meu punhal que corta
E o fantasma escondido no porão
Que dá pro sertão da minha solidão
Apertar o botão: cidade morta
Placa torta indicando a contramão
Faca de ponta e meu punhal que corta
E o fantasma escondido no porão
Medo, medo. medo, medo, medo, medo
Eu tenho medo que Belo Horizonte
Eu tenho medo que Minas Gerais
Eu tenho medo que Natal, Vitória
Eu tenho medo Goiânia, Goiás
Eu tenho medo que Minas Gerais
Eu tenho medo que Natal, Vitória
Eu tenho medo Goiânia, Goiás
Eu tenho medo Salvador, Bahia
Eu tenho medo Belém, Belém do Pará
Eu tenho medo pai, filho, Espírito Santo, São Paulo
Eu tenho medo eu tenho C eu digo A
Eu tenho medo Belém, Belém do Pará
Eu tenho medo pai, filho, Espírito Santo, São Paulo
Eu tenho medo eu tenho C eu digo A
Eu tenho medo um Rio, um Porto Alegre, um Recife
Eu tenho medo Paraíba, medo Paranapá
Eu tenho medo Estrela do Norte, paixão, morte é certeza
Medo Fortaleza, medo Ceará
Eu tenho medo Paraíba, medo Paranapá
Eu tenho medo Estrela do Norte, paixão, morte é certeza
Medo Fortaleza, medo Ceará
Medo, medo. medo, medo, medo, medo
Eu tenho medo e já aconteceu
Eu tenho medo e inda está por vir
Morre o meu medo e isto não é segredo
Eu tenho medo e inda está por vir
Morre o meu medo e isto não é segredo
Eu mando buscar outro lá no Piauí
Medo, o meu boi morreu, o que será de mim?
Manda buscar outro, maninha, no Piauí
Medo, o meu boi morreu, o que será de mim?
Manda buscar outro, maninha, no Piauí
Belchior
tempo, tempo, tempo
"Compositor de destinos
Tambor de todos os ritmos
Tempo, tempo, tempo, tempo
Entro num acordo contigo
Tempo, tempo, tempo, tempo
Por seres tão inventivo
E pareceres contínuo
Tempo, tempo, tempo, tempo
És um dos deuses mais lindos
Tempo, tempo, tempo, tempo"
É tão bom ter a quem recorrer, é tao bom entrar nessa estrada e seguir em frente , até passar aquele posto de gasolina e entrar naquela rua. Minha alma já começa se aquietar, tudo que não importa vai embora, fica só o que eles deixam. Viro aquela esquina, e tá lá minha vaga, e eu desço quase louca, se eu virasse no santo tenho certeza que não conseguiria entrar no terreiro sem ele. Quado buzino naquela porta só quero estar lá dentro e deixar o mundo todo lá fora. Quando eu tomo aquele banho já estou ali por completo,e eles sabem que eu estou e desafogam meu coração. Acho que pela primeira vez fui chamada com toda força que eles puderam. Quando eu bato minha cabeça nos pés da minha mãe tenho certeza que a tremedeira era a falta, e aí recebo aquele abraço apertado, aquele olhar acolhedor e aquela força de quem tem super poderes. E pouco preciso dizer. Entramos e entendemos as urgências. Era aquilo, de sempre, cuidado com as pessoas, cuidado com os corações, calma, calma, muita gente em volta. Respira, entenda o tempo das coisas. Deixa de ser burra. Assim vc estraga tudo. Uma Oxum, dois Xangôs, uma Iansã, dois Oguns e alguns Exus. Babado, confusão e gritaria, é muito trabalho espiritual, muita reflexão, muita experimentação, crescimento espiritual. O aprendizado foi de cuidar muito disso, com paciência e fé, muita fé.
Eu tenho muito o que agradecer a meus guias, tenho muito o que dizer que os amo, tenho muito o que trabalhar por aquele lugar e dar o melhor de mim, pq eu não tenho dúvidas que sou privilegiada de ter um lugar para ir, sempre , todo os dias, para sempre.
Esse também é um post para dizer que dar certo é isso, fazer dar. E que eu tenho é muito muito amor dentro mim, tanto que canto alto mais alto que nunca Belchior.
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